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Na maior intervenção em seus 75 anos, via Dutra ganha viadutos e terá pedágio para aeroporto

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Com a instalação de 21 pórticos de pedágios de passagem livre em um trecho de 21 km na Grande São Paulo, sendo um deles no novo acesso ao aeroporto internacional de Guarulhos, ficou pronta a maior intervenção na Presidente Dutra, desde a construção da rodovia federal para ligar a capital paulista ao Rio de Janeiro, em janeiro de 1951.

Visualmente, as mudanças surpreendem quem trafega nesse trecho graças à construção de enormes viadutos.

A 20,65 metros de altura se alcança a junção entre subida e descida em curva, da alça de acesso à rodovia Hélio Smidt e ao aeroporto —a saída é na pista da esquerda da via expressa da Dutra, ao contrário do que ocorre normalmente. A velocidade foi reduzida de 110 km/h para 50 km/h.

Ao todo, são cinco viadutos na reformulada pista expressa, no trecho entre as cidades de São Paulo e Arujá, sendo três na ligação à rodovia Fernão Dias —os outros são na ponte do Tatuapé, na zona leste paulistana, e o da Hélio Smidt.

Também houve ampliação das vias expressas, nos dois sentidos, além da construção de pistas, 27 passarelas, um trevo e reformulação de vias marginais. O custo total foi de R$ 1,4 bilhão.

Iniciadas em julho de 2023, as obras deveriam ter ficado prontas no primeiro trimestre deste ano, mas acabaram concluídas há cerca de dois meses. De acordo com a CCR RioSP, problemas com redes de água, gás e energia estão entre as interferências que provocaram atrasos.

Com volume de cerca de 350 mil veículos por dia, a reformulação foi uma saída contra o tráfego estrangulado, principalmente no trecho entre a marginal Tietê, na capital paulista, e o aeroporto, diz Denysson Canesso, gerente executivo de engenharia e implantação da concessionária CCR RioSP, do grupo Motiva, responsável pela gestão da Dutra.

"Aquela região sempre foi muito complexa, com tráfego que cresce a cada ano. Havia o desafio de dar fluidez a uma região já muito saturada", afirma.

Uma das soluções foi ampliar de duas para três o número de faixas por sentido no trecho expresso.

A estimativa da concessionária é que quem fizer o trajeto de ida e volta até o aeroporto ganhe até uma hora com o novo percurso.

A reportagem fez o percurso pela Dutra último dia 1º, um sábado pela manhã. O aplicativo de GPS indicou a via expressa como o melhor caminho, assim como a volta à noite a São Paulo —o trecho é todo iluminado com lâmpadas de LED. Havia congestionamento apenas na ida no trecho da marginal Tietê.

De um modo geral, Marinaldo dos Reis, diretor da Especialidade de Abastecimento e Distribuição do SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região), elogia as intervenções. "Foram necessárias", diz.

Para o setor, segundo ele, haverá melhora significativa, principalmente no trânsito de chegada à marginal Tietê, quando ficar pronto rodoanel norte que terá acesso na Dutra nas proximidades de Arujá. A conclusão prevista pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) é para ainda em 2025.

PEDÁGIOS DE PASSAGEM LIVRE

Os 21 pórticos de free flow estão em todas as saídas e entradas das pistas expressa para as vias marginais da Dutra e vão até o pedágio de Arujá.

O motorista que percorrer todo o percurso a partir da marginal Tietê ou no sentido inverso sem sair da expressa não pagará a tarifa eletrônica, apenas o pedágio de estrutura física, com cancela, no km 204,5 —o preço é R$ 4,50.

Ou seja, quem for ou voltar do aeroporto totalmente pelas vias marginais não será pedagiado.

A cobrança está prevista para começar até o fim do ano, mas ainda não tem data, apesar de toda a estrutura estar instalada e sinalizada. Também não há definição sobre o valor das tarifas.

Sem dizer quando, a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) afirma que essas definições só serão confirmadas após a "matéria passar por deliberação da diretoria colegiada" do órgão.

O preço deverá ser dinâmico, ou seja, maior em horários de pico do trânsito.

Para Reis, transportadores ou caminhoneiros terão de fazer cálculos para saber se será mais viável pagar pedágio na pista expressa ou seguir pelas marginais, de acordo com o tráfego no momento. No futuro, isso pode impactar no valor do frete.

O motorista de transporte executivo Irineu Baptista, que semanalmente leva passageiros de Jundiaí (a cerca de 75 km de Guarulhos) ao aeroporto, disse que vai esperar pela definição da tarifa para decidir se optará pela Dutra ou pela Ayrton Senna.

"Se a cobrança de pedágio for de centavos, pode ser uma alternativa melhor", afirma.

DISPUTAS JUDICIAIS

A reformulação no trecho da Dutra, principalmente a cobrança de pedágio, gerou polêmica. Como mostrou a Folha, a Prefeitura de Guarulhos entrou com uma ação na Justiça contra a União para pedir a suspensão integral da cobrança no trecho urbano da rodovia que atravessa o município.

A ação sustenta que a cobrança impõe um custo diário inevitável a quem precisa circular entre bairros da própria cidade e que, em diversos trajetos, o uso da pista expressa, onde ocorrerá a tarifação, seria indispensável.

Embora haja a opção de circulação livre de custos pelas pistas marginais, a prefeitura afirma que elas não atendem as necessidades de mobilidade urbana e que a cobrança vai gerar aumento de congestionamento e impacto no custo logístico de empresas instaladas na região.

Na entrevista à reportagem, entretanto, o gerente Denysson Canesso afirma que a reformulação das vias expressas, mesmo com a cobrança de pedágio, deverá aliviar o trânsito nas marginais. "Vai ter um grande público que irá optar por pegar a expressa", afirma.

Sem ter como ampliar a largura das marginais, por causa do entorno densamente povoado, o diretor da concessionária e o do sindicato dos transportadores acreditam que no futuro será necessário discutir soluções novas viárias entre São Paulo e Guarulhos.

"Precisaremos de alternativas para se conviver minimamente com os caminhões que passam por ali, sem esquecer da população do entorno", diz Reis.

Em outra ação na Justiça, no fim do mês passado a 6ª Vara Federal de Guarulhos acatou um pedido do Ministério Público Federal e proibiu a aplicação de multas a motoristas que deixarem de pagar as tarifas do novo sistema de pedágio de passagem livre na Dutra. Há um pedido de recurso no processo que não foi julgado.

Ao longo de seus 400 km de extensão, a BR-116, como é oficialmente chamada a estrada, a Dutra tem mais dois trechos com grandes obras. Em um deles, entre Jacareí e São José dos Campos, no Vale do Paraíba, a previsão é que ainda em 2025 serão concluídas ampliação no número de faixas na via expressa e nas marginais.

Outro local com trabalhos é na Serra das Araras, no Rio de Janeiro, com a construção de pistas de subidas e descidas em um trecho de 8 km.

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