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Museu Nacional lança campanha para reconstruir acervo destruído por incêndio há três anos

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Nesta quinta-feira (2), quando o incêndio que devastou o Museu Nacional completa três anos, a instituição lançou uma campanha internacional para recompor seu acervo expositivo, quase inteiramente destruído pelas chamas, em 2018. Até o momento, já foram recebidos por volta de 500 itens vindos de instituições e de coleções particulares.

Entre as peças que o museu já recebeu estão uma cerâmica nazca, coleções de moluscos e materiais etnográficos africanos. Contando com os itens não expositivos, ou seja, aqueles que são usados para pesquisa, o museu já angariou 2.000 novos itens.

"Se você perguntar a mim e a qualquer colega da nossa instituição qual o nosso maior desafio, a resposta vai ser a mesma: acervo, acervo e acervo. Sem um acervo expressivo, nós não teremos o nosso Museu Nacional de volta", afirmou Alexander Kellner, diretor da instituição, durante coletiva.

O objetivo da campanha é conseguir a doação de cerca de 10 mil itens, que serão divididos em quatro circuitos expositivos: histórico, universo e vida, ambientes brasileiros e diversidade cultural.

A previsão é que o museu seja reaberto no dia 7 de setembro de 2022, data em que se comemora o bicentenário da independência. No entanto será uma reinauguração parcial.

Reitora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), instituição à qual o museu está vinculado desde 1946, Denise Pires de Carvalho diz que a expectativa é garantir a visitação do Jardim das Princesas, área que vai ser concluída ainda neste mês.

Segundo Pires de Carvalho, a expectativa é que em setembro de 2022 estejam prontos também ao menos uma parte da fachada e o telhado do bloco 1. Ela acrescenta que a reabertura será somente do exterior. Para a conclusão do interior do palácio, a data prevista é 2026.

Segundo ela, a instituição já conseguiu cerca de 64% dos R$ 385 milhões previstos para executar as obras de restauração. Os aportes do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar os trabalhos chegam a R$ 50 milhões.

"É um recurso que vai direto para o apoio das obras de fachada e do telhado do bloco 1. Esses dois investimentos que o banco está apoiando representam mais ou menos 50% da área do museu", disse Julio Costa Leite, superintendente do BNDES.

Maior museu de história natural e antropológica da América Latina, o Museu Nacional teve 80% do seu acervo destruído por um incêndio que durou mais de seis horas, na noite de 2 de setembro de 2018.

Fundada em 1818 por dom João 6º, a instituição contava com mais de 20 milhões de itens. Entre eles havia peças célebres, como o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo na América do Sul --uma das 10 mil peças resgatadas e restauradas após o incêndio-- e o meteorito do Bendegó, o maior já encontrado no país --que ficava na entrada do museu e resistiu às chamas.

Neste ano, vértebras de um dinossauro de grandes proporções foram encontradas nos escombros do imóvel. O fóssil estava praticamente intacto, apesar de ter sido soterrado pelos dois andares superiores do prédio durante o incêndio.

O projeto de reconstrução do museu tem sido alvo de disputas. Em março, o jornal Folha de S.Paulo mostrou que o governo Bolsonaro tentava transformar a instituição num centro turístico dedicado à família imperial. À época, a ideia estava sendo encampada pelo então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, nome ligado ao movimento monarquista.

Descendente da família real, o deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança (PSL) também era um dos defensores da ideia. Na ocasião, o diretor do museu afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que o projeto causava estranheza.

"Essa ideia é uma das mais estapafúrdias que já ouvi, nunca vi mais absurdo e ridículo. Seria matar o museu mais uma vez. Aquele palácio sempre foi museu de história natural", disse Kellner.

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