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Mulheres encampam empoderamento feminino com armas após decreto de Bolsonaro

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Armadas e empoderadas. Este é o nome do grupo que a empresária Solange Lopes, 39, dona de uma loja de roupas e de um salão de beleza, criou em uma rede social para compartilhar informações sobre armamento com outras mulheres.

"Empoderamento não é levantar bandeira e mostrar peito na rua. É ter uma arma na cintura, usar salto e ir trabalhar todos os dias", diz ela, que aprendeu a atirar aos 10 anos com o pai em um sítio onde vivia em Rondônia.

Termo comum no vernáculo feminista, empoderamento tem sido usado por mulheres que veem no armamento um meio de autodefesa. Elas comemoram o decreto assinado por Jair Bolsonaro (PSL) na terça (15), que facilita a posse de armas.

Solange, dona da página "Musas de direita do Mato Grosso do Sul", afirma que "atirar libera adrenalina". "Funciona como uma válvula de escape para mim", conta ela, que prefere armas pesadas -a favorita é a espingarda de calibre 12.

A empresária diz que, antes de atirar em um criminoso, daria um tiro de alerta, para cima, para mostrar que está armada. A deputada federal Joice Hasselmann (PSL) pensa diferente. "A melhor forma de você enfrentar um bandido em potencial, um estuprador em potencial, é estar armado e saber usar a arma. De preferência mirar bem no meio das pernas e atirar."

Joice evita usar o termo "empoderada". Prefere "poderosa". "A mulher poderosa que sabe mexer numa arma, o bandido não vai dar uma de besta do lado dela não", diz. "A arma tem que estar na mão de quem tem que se defender, e não na mão do bandido".

Para a deputada, "a posse é um primeiro passinho". Ela diz que vai atuar pela liberação do porte, ou seja, do direito de carregar a arma fora de casa.

Joice justifica sua posição dizendo que o "estupro virou uma epidemia" em São Paulo. Houve um aumento de 356% em dez anos nos registros desse tipo de crime, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública de SP. De janeiro a novembro (último dado atualizado) de 2018, foram registrados 11.025 estupros no estado. No mesmo período em 2008, foram 3.092 casos. Pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta que cerca de 70% das vítimas de estupro conheciam o estuprador.

Foi também em busca de defesa pessoal que a servidora pública Jacqueline Neves, 31, moradora de Brasília, decidiu se armar, há cerca de um ano. "A mulher tem certas limitações físicas, em comparação com o homem. E a arma funciona como um equalizador de forças", diz. "Com mulheres armadas, os homens vão pensar duas vezes antes de bater ou estuprar alguém."

Mas ela diz que só dispararia um tiro contra alguém caso a vida estivesse em risco. "O brasileiro tem que saber que a arma deve ser usada apenas em última instância, não primeira", diz ela, que vive sozinha e deixa a arma a postos sempre que recebe algum homem desconhecido em sua casa.

Também criou uma página em uma rede social, chamada "Armadas Brasil", para divulgar conteúdo pró-armamento. Já tem mais de 18 mil seguidores, a maioria homens, diz ela. O objetivo para o futuro é criar uma associação para incentivar a legítima defesa feminina e disseminar a prática de tiro esportivo. "Os clubes de tiro são um ambiente muito familiar. Muitos acham que o clima é pesado, mas tem muitos avós, filhos e segurança."

Com símbolos de um salto alto, uma caveira e uma bandeira do Brasil, acompanhados da hashtag #empoderamento, a deputada estadual Leticia Aguiar (PSL) também comemorou o decreto. "

"Nós mulheres somos as maiores vítimas do desarmamento civil", diz ela. "Uma mulher desprotegida é alvo fácil para que o estupro ocorra, uma mulher armada e preparada em seu dia a dia, é sinônimo de mais segurança."

"A única coisa que para uma pessoa criminosa armada, é uma pessoa de bem armada, seja ela, homem ou mulher, para garantir sua defesa e de outros."

Cerca de 50% das mulheres assassinadas no país são mortas com armas de fogo, segundo dados do Ministério da Saúde -taxa menor que a de homens, que fica em torno de 75%.

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