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Movimento negro ficou fora de reunião entre Lula e sociedade civil na COP30, diz Coalizão Negra

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - Na véspera do Dia da Consciência Negra, na quarta-feira (19), o presidente Lula se reuniu com indígenas e movimentos da sociedade civil na zona azul da COP30 para discutir as mudanças climáticas. Representantes do movimento negro, no entanto, afirmam que não foram convidados.

A Coalizão Negra por Direitos, que reúne mais de 250 organizações e coletivos negros de todo o Brasil, diz que não sabia da reunião e foi surpreendida pela pauta.

"Esperávamos anúncios. Foram anunciadas demarcações indígenas, vão anunciar a de terras quilombolas?", diz Thuane Nascimento, diretora executiva da organização PerifaConnection.

Entre os 12 participantes da reunião, estavam representantes de organizações ambientais e da ciência, além de movimentos de populações extrativistas, de trabalhadores e atingidos por barragens. A Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil) foi representada pelo líder indígena Kleber Karipuna.

O governo federal afirma que duas pessoas indicadas pela Cúpula dos Povos, movimento da sociedade civil em paralelo à COP30, "representaram o conjunto de movimentos sociais daquele espaço, incluindo organizações negras e coletivos que contribuíram para o documento final da Cúpula".

A representatividade, diz o governo, não se deu por organização individual, mas por meio de instâncias coletivas, como é a prática da cúpula. Já a agenda de justiça racial, afirma, tem sido estabelecida ao longo da conferência da ONU.

"O Ministério da Igualdade Racial tem atuado diariamente nas negociações e painéis, defendendo a inclusão de marcadores de raça, gênero e território, além da adoção do termo ‘afrodescendentes’ nos documentos oficiais da conferência. Essas posições estão alinhadas às demandas históricas do movimento negro e foram apresentadas em espaços de alto nível", diz nota.

Nesta sexta-feira (21), novo rascunho das principais decisões da conferência mantém a menção inédita ao termo "afrodescendente".

A Coalizão Negra, porém, afirma que desejava o encontro para demandar uma ação climática dentro do próprio país.

"Existe a agenda internacional, com a presidência da COP30, e a subnacional, com o governo brasileiro, que inclui demarcação de terra e adaptação climática nas cidades, por exemplo", diz Thuane Nascimento.

"O que o governo Lula está falando sobre periferias? Vai continuar construindo Minha Casa, Minha Vida sem resiliência climática?", complementa.

A relação do governo federal com o movimento negro também está estremecida pela indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao STF (Supremo Tribunal Federal). É uma demanda antiga e cada vez maior do movimento a indicação da primeira mulher negra ao tribunal.

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