SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O motorista de caminhão Dener Laurito dos Santos, 52, que fabricou uma falsa bomba e fingiu ter sido vítima de criminosos, travando o Rodoanel por cerca de cinco horas, contou em interrogatório que sua intenção era chamar a atenção para a "causa dos motoristas".
De acordo com o delegado Marcio Fruet, de Taboão da Serra (SP), em novo depoimento nesta quarta-feira (19), Santos confessou a farsa e disse que o objetivo da ação era atrair holofotes para as condições de trabalho da categoria. Ele foi indiciado por falsa comunicação de crime e teve os celulares apreendidos.
Segundo a polícia, o motorista ainda não constituiu defesa. A reportagem não conseguiu localizá-lo nos telefones disponíveis.
Santos travou o rodoanel Mário Covas, na altura da cidade de Itapecerica da Serra (SP), por quase 5 horas ao atravessar a carreta que conduzia na pista, no último dia 12. Para policiais que estiveram no local, ele contou ter sido vítima de criminosos e que havia uma bomba na cabine do veículo.
Policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) estiveram no local e identificaram que o artefato havia sido feito com tubos de papelão, fios e papel alumínio.
Desde então a Polícia Civil investiga o ocorrido, mas tratava Santos como vítima.
De acordo com Fruet, o caminhoneiro relatou que teve a ideia de realizar a ação na noite anterior, enquanto descansava em posto na rodovia dos Bandeirantes, após uma viagem a trabalho.
A carreta, que pertence à empresa Sitrex, especializada no transporte rodoviário internacional, teve o vidro da frente quebrado.
Em seu primeiro depoimento, Santos havia afirmado que um homem na caçamba de um veículo atirou uma pedra no para-brisa do caminhão, quebrando o vidro. Ao parar no acostamento ele teria sido abordado e ficado em poder dos criminosos, que o teriam amarrado e colocado a bomba ao lado dele.
No novo depoimento Santos contou ter sido ele o responsável por atirar o objeto contra o vidro.
A reportagem não conseguiu contato com Sitrex nesta quinta-feira (20).
Santos é ex-policial militar. Ele foi expulso pela prática de atos desonrosos em 2006. A Folha apurou que ele trabalhava no 22º Batalhão de Polícia Militar, que atua na região de Interlagos, na zona sul de São Paulo.
Questionada, a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmou que o nome pertence a um soldado que foi expulso da Polícia Militar, conforme consta em publicação no Diário Oficial do Estado. No entanto, disse que mais detalhes deveriam ser solicitados por meio da Lei de Acesso à Informação.


