Ministério da Saúde diz que fez compensação por doses extras ao enviar vacinas para SP

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

04/08/2021 20h36 — em Variedades

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após o governo de São Paulo acusar o Ministério da Saúde de enviar ao estado volume de doses de vacinas contra a Covid 50% menor do que o esperado, representantes da pasta negaram que tenha havido prejuízo na distribuição e disseram ter havido uma compensação por doses extras recebidas anteriormente.

Mais cedo, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), acusou o governo federal de boicote e disse que o estado recebeu 228 mil doses da vacina da Pfizer nesta semana, quando esperava que chegassem 456 mil.

A situação fez a secretaria de saúde do estado enviar um ofício ao ministério em que pede que a entrega seja normalizada e afirma que "desde o início da campanha de vacinação contra a Covid-19 sempre recebeu mais de 20% do quantitativo de vacinas destinado ao país, independente do público-alvo ou do imunobiológico".

Em entrevista coletiva no fim da tarde desta quarta (4), o secretário-executivo do ministério, Rodrigo Cruz, negou que tenha havido prejuízo na distribuição das doses ao estado e disse que a decisão foi tomada em conjunto com secretários de saúde. Ele também negou que haja um percentual fixo de distribuição de doses por estado.

Segundo a secretária de enfrentamento à Covid, Rosana Leite de Melo, o estado retirou mais doses do que o previsto no Instituto Butantan em distribuições recentes, o que levou a "compensações" no envio de outros imunizantes.

"O que ocorreu com o estado de São Paulo em relação a determinados imunizantes é que, pelo fato do Butantan ser localizado em São Paulo, eles podem fazer retirada direta do imunizante lá, mas respeitando os 'steps' de qualidade. E muitas vezes por falha de comunicação pode se retirar um quantitativo a mais, e acabamos fazendo algumas compensações, e pode ser que não entenda. Mas estamos sempre abertos a dirimir todas essas dúvidas", disse.

Em seguida, ela citou dados que apontam que o estado teria retirado doses extras do Butantan, o que levou a compensações em ao menos dois momentos, aponta.

"Pelos nossos cálculos, na pauta 31 [nome dado ao acordo de distribuição], São Paulo deveria estar com 620 mil, e retiraram 678 mil. Fazemos uma compensação naquela pauta mesmo para não prejudicar nenhum outro estado", disse.

"Na pauta 34 [início de agosto], retiraram 271 mil doses, sendo que pelos cálculos deveriam receber 178 mil doses. Então isso foi compensado com outros imunizantes", afirmou.

Em nota divulgada logo após a coletiva de imprensa do ministério, o governo de São Paulo rebateu as declarações e disse que a afirmação de que o estado teria ficado com mais doses da Coronavac é "mentirosa".

"O Governo do Estado de São Paulo reitera que está sendo penalizado pelo Ministério da Saúde pelo sucesso da sua campanha de vacinação, que enviou somente 50% das doses previstas para vacinar a sua população de maneira deliberada. O estado de São Paulo recebeu ontem 228 mil doses a menos do previsto da vacina da Pfizer, quando considerado o critério de distribuição equitativa realizada em todas as pautas de distribuição anteriormente enviadas", apontou.

O governo paulista diz ainda que deve tomar "todas as medidas cabíveis para que o direito dos seus cidadãos seja respeitado".

A reportagem voltou a questionar o Ministério da Saúde sobre a negativa, mas não teve retorno até o momento.

Em coletiva, membros da pasta disseram ainda que ter firmado um acordo com representantes de secretários estaduais e municipais de saúde no fim de julho por novos critérios na distribuição de vacinas.

O acordo prevê que a distribuição de novas doses ocorra por apenas faixa etária e que haja compensações por doses extras recebidas por alguns estados —como em envio de doses por ações judiciais ou para grupos extras, como população de fronteira, apontam.

"É importante que todas as unidades da federação tenham equidade na vacinação. O que não é justo é determinados municípios estarem vacinando com disparidade muito grande de faixas etárias", afirma Melo, segundo quem a pasta deve adotar medias para tentar dar equidade à distribuição.

"São Paulo, por exemplo, está com D1 (primeira dose) de 63% de toda sua população acima de 18 anos. O Acre está com 78%. Está uma disparidade nesse sentido, então os que estão com um pouco menos receberam uma porcentagem para tentar equacionar", disse.


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