SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Sindicato dos Metroviários de São Paulo realizou uma assembleia na manhã desta sexta-feira (24), e a categoria aceitou a proposta apresentada pelo Metrô durante a madrugada. Com isso, a greve que começou na quinta (23) foi encerrada.
Os metroviários devem voltar ao trabalho imediatamente, e a expectativa é que as estações reabram e a circulação volte ao normal ao longo do dia. A greve durou 34 horas e foi marcada por brigas entre o sindicato e o Metrô.
Foram 1.480 votos pelo fim da greve, segundo a direção do sindicato, contra 1.459 pela manutenção do movimento.
Durante a madrugada, o Metrô apresentou ao sindicato uma proposta para o pagamento em abril de abono salarial no valor de R$ 2.000 e a instituição de PPR (Programa de Participação nos Resultados) de 2023, a ser pago em 2024.
Segundo a presidente do sindicato, foram mais de 3.000 votantes e a votação foi apertada.
"A votação foi extremamente apertada. A diferença foi de 21 votos. É necessário esse registro pois há uma indignação enorme da categoria e essa indignação é justa. Por causa das difíceis condições de trabalho, por causa de todo desrespeito que a categoria vem sofrendo nos últimos anos e por causa da mentira e da gasolina na fogueira que o governador Tarcísio jogou ontem sobre a liberação das catracas", disse a presidente do sindicato, Camila Ribeiro Duarte Lisboa.
Em nota enviada à Folha de S.Paulo, o Metrô disse ter se empenhado para chegar a uma solução justa e acabar com a greve.
"Desde o início das negociações, o Metrô esteve aberto ao diálogo com a categoria e, mesmo com a saúde financeira prejudicada pelo período de pandemia, empenhou todos os esforços para conseguir uma proposta justa e que garantisse acima de tudo o transporte da população de forma segura", declarou a companhia.
Narciso Fernandes Soares, vice-presidente, disse que a retomada da operação ainda vai demorar.
"Agora todo mundo vai voltar. A categoria começa a retornar agora, mas vai demorar um tempo para o metrô voltar a operar porque a turma precisa chegar aos postos de trabalho, significa ter condições de voltar a operar. Demora um tempo para voltar a funcionar, mas está encerrada a greve", disse Soares.
O governo do estado disse que o Metrô vai retomar a operação em sua totalidade, com retorno de 100% do efetivo às atividades, após o Sindicato dos Metroviários aceitar a proposta da companhia para encerrar a greve. A companhia aguarda o retorno dos colaboradores às suas funções para normalizar completamente suas operações.
O Sindicato dos Metroviários afirma que a empresa pública deixa de pagar há três anos o abono salarial devido à categoria. Os funcionários pedem reposição do equivalente à participação nos lucros de 2020 a 2022. Antes de fazer a proposta aos funcionários nesta madrugada, o Metrô afirmou não ter dinheiro para pagar o abono salarial neste momento, alegando que a empresa teve quedas significativas de arrecadação devido à pandemia e ainda não teve o retorno total da demanda de passageiros.
A presidente do sindicato disse que não via uma possível melhora da proposta apresentada pelo Metrô.
"A gente acha a proposta muito ruim, um desrespeito com a categoria que trabalhou durante a pandemia, que está sofrendo nas estações com pouquíssimos funcionários. A gente merece muito mais do que isso", discursou durante a assembleia.
Contudo, Lisboa defendeu que a proposta da companhia fosse aceita pelos trabalhadores.
"Estou defendendo a gente aceitar essa proposta, com todas as críticas que ela merece, mas para a gente sair por cima. Porque nós temos uma campanha salarial daqui a duas semanas. Vai começar um novo enfrentamento. A gente quer sim um reajuste na campanha salarial, a gente quer sim melhorar o nosso acordo coletivo e a gente já viu que vai enfrentar um governo duríssimo", afirmou a presidente.
O vice-presidente do sindicato Narciso Fernandes Soares afirmou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) mentiu durante a negociação.
"E não mentiu só na catraca. Mentiu quando falou que não tinha dinheiro para dar para os metroviários. Porque está dando essa merreca desses R$ 2.000, que os metroviários mereciam muito mais, mas mostrou que tinha dinheiro e a gente vai brigar para dar mais", afirmou Soares.
Ele defendeu que o movimento sai fortalecido da greve e defendeu a aceitação da proposta patronal.
"A gente sai mais forte hoje do enfrentamento com Tarcísio. A categoria sai mais moralizada. Foi muito correto esse movimento. Acho que nesse momento é melhor recuar para sair de cabeça erguida e ter força para lutar na campanha salarial, ter força para lutar contra a privatização. Acho que é o melhor momento mesmo sendo essa proposta ruim. Por isso defendemos essa proposta", defendeu.
As linhas 1-azul, 2-verde e 3-vermelha do metrô e a linha 15-prata do monotrilho amanheceram paralisadas pelo segundo dia consecutivo nesta sexta-feira (24) em São Paulo e a partir das 6h45 começaram a funcionar parcialmente, de acordo com plano de contingência. Os trens das linhas 4-amarela e 5-lilás circulam normalmente.
ENTENDA A GREVE NO METRÔ DE SP
O que os metroviários pedem
Pagamento de abono salarial para repor o não pagamento das PRs (participação nos lucros) de 2020 a 2022
Revogação de demissões por aposentadoria especial
Revogação de desligamentos realizados em 2019
Fim das terceirizações e privatizações
Abertura imediata de concurso público para repor o quadro defasado de funcionários
O que diz o Metrô
Afirma não ter dinheiro para pagar o abono salarial neste momento, alegando que a empresa teve quedas significativas de arrecadação devido à pandemia e ainda não teve o retorno total da demanda de passageiros, se comparada a 2019
VAIVÉM SOBRE ABERTURA DAS CATRACAS
Na véspera da greve
Justiça rejeita liminar do Metrô e permite catraca livre em caso de greve
Sem acordo com empresa, metroviários anunciam greve
Metrô não divulga se vai liberar passageiros de graça
No dia da greve
Metroviários entram em greve, com estações fechadas
Funcionários afirmam que voltariam ao trabalho com catracas livres
Metrô anuncia que aceita liberar catracas
Metroviários dizem que estão a postos para trabalhar, mas estado não libera passageiros
Gestão Tarcísio acusa funcionários de não terem voltado ao trabalho
Justiça revê decisão e manda metroviários garantirem 80% do serviço durante a greve
Funcionários dizem que não vão voltar ao trabalho sem catraca livre
Negociação
Em audiência de conciliação na tarde de segunda-feira (23), o Ministério Público do Trabalho sugeriu um acordo em que o Metrô pagaria R$ 2.500 referente ao abono salarial por trabalhador por cada ano de 2020 a 2022
Durante a madrugada, o Metrô fez uma proposta para pagar R$ 2.000 do abono, além de um Programa de Participação nos Resultados de 2023, a ser pago em 2024
Os metroviários aceitaram a proposta nesta sexta (24)
7.200
metroviários compõem o quadro. Desse total, 3.800 são funcionários diretamente ligados à operação dos trens, sendo que cerca de 700 trabalham ao mesmo tempo nas quatro linhas
3 milhões
é o número atual de passageiros do sistema por dia, segundo o Metrô. Antes da pandemia, a média ficava entre 3,8 milhões e 4 milhões de passageiros



