Mas, depois de uma sólida, embora discreta, carreira fazendo papéis coadjuvantes, inclusive em séries populares como Two and a Half Men, Lynskey finalmente está tendo o destaque que merece. A razão é Yellowjackets, a série sobre um time de futebol feminino que fica perdido em uma floresta por 19 meses depois da queda do avião em que viajavam. As agora mulheres de 40 e poucos anos precisam lidar - ou não - com os traumas daquele período em que viram a morte e recorreram ao canibalismo. A série, que estreou no dia 24 a sua 2.ª temporada, é exibida em episódios semanais às sextas, no Paramount+.
Yellowjackets foi um sucesso surpreendente no ano passado com seu elenco quase inteiramente feminino que inclui estrelas dos anos 1990, como Juliette Lewis e Christina Ricci, e jovens atrizes fazendo suas versões no passado. A segunda temporada, ainda mais rocknroll, mergulha nos mistérios daquela floresta. O elenco tem novas adições: Lauren Ambrose faz Van no presente, Simone Kessell é Lottie, e Elijah Wood interpreta Walter, um detetive curioso.
A personagem de Lynskey, Shauna, uma dona de casa aparentemente pacata, tenta esconder o assassinato de seu amante, que ela desconfiava estar por trás de uma chantagem. É esse seu jeito de quem não oferece perigo, mas que na verdade pode esconder um poço de vingança dentro de si, que a fez também ser escalada para The Last of Us. Em entrevista, a atriz falou sobre Yellowjackets:
Sobre a nova temporada de Yellowjackets
Na segunda temporada, você conhece um pouco melhor as personagens. Ao mesmo tempo, nós atrizes tínhamos uma compreensão mais profunda de quem elas são como pessoas, e os roteiristas puderam mergulhar mais na sua humanidade.
Sobre The Last of Us e Pedro Pascal
Gostaria de ter realmente trabalhado com Pedro, porque simplesmente o amo. Eu sou uma grande fã dele como ator, e ele é simplesmente a pessoa mais calorosa... Eu o descrevi para alguém outro dia como sendo um adorável banho de espuma quente. Ele apenas faz você se sentir tão bem, tão bem-vinda e amada. E Pedro é engraçado e ótimo. Mas realmente quase não tive contato com ele. Na cena que fizemos, ele está em uma torre tentando me matar. E foi isso. Mas foi uma experiência maravilhosa trabalhar na série. Acho que The Last of Us e Yellowjackets são similares pelo fato de serem sobre pessoas comuns levadas a um ponto de desespero, tentando descobrir como sobreviver em um mundo no qual elas nunca acharam que iam viver.
Sobre a possibilidade de fazer mulheres traumatizadas e complexas
Eu me sinto muito feliz. Atuo há 30 anos e pensei que havia uma data de validade. Achei que chegaria um momento em que minha carreira terminaria. Até porque, honestamente, eu não sou uma mocinha inocente ou a atriz tipicamente bonita, então não achei que interpretaria papéis principais. Então fazer uma personagem tão complexa e interessante, sexy, enfrentando coisas terríveis, com tanta emoção e humor, com tanto para interpretar, é uma loucura.
Sobre quanto sabe do passado de Shauna
Adoraria saber de tudo. Eu gostaria que houvesse um livro. É uma coisa interessante assistir à série e ver o passado ser encenado por essas atrizes incríveis em outra linha do tempo. Gostaria de ter isso pelo resto das temporadas e poder apenas assistir, porque ainda não sabemos muito sobre o que aconteceu no passado. E em parte tudo bem, porque, se você está interpretando alguém que não necessariamente processou tudo, não há problema em ir navegando e obtendo as informações aos poucos, porque é como as memórias ressurgem. Mas por curiosidade própria queria saber mais. Tento não incomodar os escritores, mas também queria saber.
Sobre por que as histórias envolvendo mulheres e canibalismo fazem sucesso
É tabu, é transgressivo. As pessoas estão interessadas em ver as mulheres ultrapassando os limites de uma forma que não conseguimos tradicionalmente na cultura e na mídia.
Sobre perceber que Yellowjackets era especial
Na primeira temporada, percebi que os roteiros estavam cada vez melhores. Sou assim: "Ai, Deus, tenho de ler um roteiro". No caso de Yellowjackets, me sentava e lia, o que me pareceu ser um bom sinal. Mas só quando as pessoas começaram a comentar que vi que o sentimento era geral.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


