Início Variedades Medicamentos utilizados por Bolsonaro são seguros, mas podem ter efeitos colaterais em casos específicos
Variedades

Medicamentos utilizados por Bolsonaro são seguros, mas podem ter efeitos colaterais em casos específicos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A combinação de sertralina e pregabalina, medicamentos que o ex-presidente Jair Bolsonaro, 70, afirma tomar, é segura e comumente usada em pacientes idosos, mas, em situações específicas, pode causar episódios de delirium, que na psiquiatra é entendido como alteração da atenção, da cognição e do nível de consciência.

Ao passar por audiência de custódia neste domingo (23) na superintendência da Polícia Federal em Brasília, Bolsonaro (PL) disse que tentou abrir a tornozeleira eletrônica na sexta-feira (21) porque teve uma "certa paranoia" devido ao uso dos remédios e que só "caiu na razão" à meia-noite.

A sertralina é um antidepressivo da classe do tipo ISRS (inibidor seletivo de recaptação de serotonina) indicada para depressão, ansiedade, transtorno do pânico, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), fobia social e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Já a pregabalina é um medicamento da classe dos anticonvulsivantes, tem efeito ansiolítico e também é utilizada para a dor crônica.

"O que se tem na literatura é que a consequência maior da interação entre um inibidor seletivo de recaptação de serotonina, como a sertralina, e a pregabalina é um quadro chamado de hiponatremia, que é a redução de sódio no organismo. Isso pode causar confusão mental e até coma, em casos graves", afirma o psiquiatra Ricardo Castilho, colaborador e mestrando do Amban do IPq-HCFMUSP (Ambulatório de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Castilho ressalta que, antes de atribuir o delírio ou paranoia à interação medicamentosa, é preciso descartar, especialmente em um paciente idoso, a presença de uma causa clínica como a hiponatremia, uma infecção ou até desidratação. Em relação aos remédios que o ex-presidente afirma tomar, seria preciso saber se houve superdosagem ou se o paciente parou de tomá-los ou aumentou a dose por conta própria.

O psiquiatra Rodrigo Fonseca Martins Leite, professor colaborador do Instituto de Psiquiatria da USP, reforça que o uso da medicação combinada é segura e raramente pode causar um quadro de alucinação, como o descrito pelo ex-presidente.

"Não sei exatamente qual foi a indicação para o Bolsonaro. É lógico que precisa ser periciado, não é uma coisa para se afirmar sem ver o paciente, mas é muito pouco provável que essa interação justifique um comportamento organizado como o que o ex-presidente apresentou, de pegar um soldador. Isso exige uma organização cognitiva muito grande para que o indivíduo faça essa operação. Coisa que não é compatível com um efeito de confusão mental que eventualmente poderia acontecer se a medicação estivesse em altíssima dose", afirma.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?