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Medicamento em fase de testes nos EUA demonstra potencial para reverter calvície

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Quem já é calvo ou está começando a perder cabelo provavelmente conhece os remédios disponíveis no mercado para combater a queda. Os mais comuns são a finasterida, a dutasterida e o minoxidil, que ajudam a preservar o cabelo existente e retardar a perda. Outras soluções incluem transplante capilare e uso de perucas, apliques, próteses e tinturas em spray.

Mas um medicamento vem chamando atenção por sua proposta ambiciosa de estimular o crescimento de novos fios onde antes não havia mais esperanças.

Diferentemente dos tratamentos atuais, o PP405, da empresa americana Pelage Pharmaceuticals, atualmente em fase 2 de estudos clínicos nos Estados Unidos, atua nas células-tronco do folículo capilar "adormecido" —que não produz mais cabelo— para tentar despertá-lo. Ou seja, em vez de apenas "segurar" o cabelo, o medicamento promete reverter a calvície.

Por enquanto não há pesquisa clínica nem pedido de registro do medicamento no Brasil, segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas o PP405 já tem atraído olhares de especialistas em tratamento capilar.

A expectativa é que, uma vez que for possível reverter a mumificação do folículo, um leque de outras possibilidades pode se abrir, como a solução para a perda de pigmentação em fios brancos e o estresse oxidativo da pele.

Vlássios Marangos, médico especialista em tricologia e transplante capilar, avalia que o tratamento é promissor.

"E está acontecendo muito mais rápido do que antes. A finasterida, por exemplo, é usada há mais de 30 anos, e poucas alternativas surgiram nesse período. Hoje, todo o processo de pesquisa, aprovação e lançamento de novos tratamentos acontece de forma muito mais rápida do que no passado", diz.

O PP405 é uma molécula tópica desenvolvida para agir metabolicamente nas células do folículo capilar. Ele inibe o transportador mitocondrial de piruvato (MPC), aumentando os níveis intracelulares de lactato, uma substância que "desperta" as células-tronco foliculares adormecidas.

Com esse estímulo, o folículo volta a entrar no ciclo capilar ativo, especialmente no caso de folículos miniaturizados —aqueles com fios muito finos—, mas ainda não é muito eficiente em áreas onde o cabelo foi completamente perdido.

Os estudos clínicos demonstram que o medicamento pode aumentar em até 20% a densidade capilar (cerca de 18 folículos a mais por centímetro quadrado), sem apresentar efeitos colaterais hormonais, como alterações na libido, comuns em bloqueadores de DHT (di-hidrotestosterona) como a finasterida e a dutasterida.

A medicação, em forma de loção, é aplicada diretamente no couro cabeludo, com uso diário contínuo. O tratamento inicial dura entre 16 e 24 semanas, período no qual já se observam resultados. A expectativa é que o cabelo mantido pela medicação permaneça em crescimento por cinco a sete anos após a interrupção do tratamento.

A previsão é que o PP405 esteja disponível em larga escala no mercado em 2027. Inicialmente, o custo estimado deve superar R$ 1.000 por mês para um frasco com duração média de 30 dias.

Para quem enfrenta a calvície, os tratamentos atuais consistem principalmente em interromper ou desacelerar a queda capilar e preservar os fios restantes —não são capazes de estimular o crescimento de novos folículos. Além disso, exigem uso contínuo e prolongado para a manutenção dos resultados.

Quanto aos efeitos colaterais, o minoxidil raramente provoca alterações hormonais, mas sua aplicação pode causar desconforto local devido à sua composição cosmética. Já a finasterida e a dutasterida podem ocasionar redução da libido em uma parcela dos pacientes, embora parte desse efeito seja atribuída também ao componente psicológico.

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