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Manifestação em SP contra PL Antiaborto por Estupro mira Arthur Lira

Por Folha de São Paulo

15/06/2024 17h45 — em
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Manifestantes se reuniram na tarde deste sábado (15) na avenida Paulista, em São Paulo, para protestar contra o PL Antiaborto por Estupro, que pode equiparar a punição para o aborto à reclusão prevista em caso de homicídio simples. Os participantes do ato apelidaram o texto de "PL da gravidez infantil" e fizeram críticas ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

Coletivos feministas, movimentos sociais e a Frente Estadual para Legalização do Aborto convocaram o ato, que começou às 15h. O protesto ocupou inicialmente uma das pistas da Paulista em frente ao Masp e, depois, iniciou uma caminhada até a praça Franklin Roosevelt, na Consolação.

"Queremos o arquivamento desse projeto nefasto", disse Maria das Neves, integrante da União Brasileira de Mulheres.

"É um retrocesso civilizatório, usam nossos corpos como moeda de troca e avançam com a política do estupro", continuou Neves. "Mas as mulheres brasileiras vão colocar para correr esse PL."

O alvo dos gritos de guerra dos manifestantes era Lira, presidente da Câmara. A Casa aprovou a urgência do projeto na última quarta (13). A urgência acelera a tramitação de uma proposta, já que ela segue direto ao plenário, sem passar pela análise das comissões temáticas. Os deputados ainda terão de analisar o mérito do texto.

Ainda na quarta, Lira minimizou a tramitação. "Não é porque uma urgência é aprovada que [o PL] vai para o plenário na semana que vem", afirmou o presidente do Câmara após participação na 9ª edição do Congresso Brasileiro de Direito Eleitoral, em Curitiba.

Levar a urgência do PL à votação foi uma decisão do colégio de líderes. O presidente não tem poderes para desfazê-la unilateralmente. Na próxima terça (18), as lideranças da Casa deverão discutir com Lira como será a tramitação abreviada do projeto.

Neste sábado, manifestantes gritavam "Fora, Lira", além de "criança não é mãe e estuprador não é pai".

Uma dessas vozes era de Juliana Bruce, 40, grávida de 18 semanas. "Esse é um movimento importante para defender crianças, mas também mulheres adultas. Queremos ter nossos direitos mantidos, não dá para retroceder. É uma aberração", disse ela sobre o PL.

A gestora ambiental Ana Paula Cutolo Cortez, 40, levou os filhos de 8 e 6 anos ao ato. Para ela, estar na rua é uma maneira de levantar a voz contra o "silencio que favorece os opressores".

"Sei a responsabilidade e a dedicação que é criar família, a importância de uma infância com atenção dos pais, e é terrível pensar em mulheres que não escolherem gerar uma vida se verem obrigadas a criar uma criança em contexto hostil", afirmou.

"Ninguém quer ver uma criança sendo obrigada a parir aquilo que foi objeto de extrema violência", acrescentou Luka Franca, do Movimento Negro Unificado.

Pai de uma menina, o psicanalista Ivan Martins, 63, afirmou que não deseja que sua filha cresça em um mundo dominado por "fanáticos religiosos que ditem o que ela pode fazer". "Importante vir para a rua defender direitos básicos e civilizatórios, direitos da família", disse ele.

Além de pedir o arquivamento do projeto, os manifestantes reivindicavam que mais hospitais que realizem a interrupção da gravidez acima de 22 semanas.

"Queremos atendimento do aborto previsto por lei em todas as capitais do país", diz Jacira Melo, diretora do Instituto Patrícia Galvão.

A deputada federal Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e o deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL) participavam da manifestação.


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