SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O estudo 'Percepções sobre justiça racial e desigualdade de gênero no Brasil', realizado pelo Mover (Movimento pela Equidade Racial), aponta que 67% dos consumidores brasileiros avaliam que as marcas devem se manifestar contra o racismo e injustiça racial.
Do total, 71% dos entrevistados disseram que teriam uma percepção positiva da empresa ou marca se ela tivesse uma área dedicada a diversidade, equidade e inclusão.
Além disso, 54% deles seriam fiéis a marcas que tivessem adotado medidas significativas para combater o racismo e a desigualdade racial. Outros 12% rechaçariam as marcas que não tivessem tomado nenhuma atitude nesse sentido.
Natália Paiva, diretora-executiva do Mover, destaca que as marcas que se posicionam contra a desigualdade racial acabam tendo a fidelidade do consumidor.
"Há quem continuasse apoiando a marca mesmo que surgisse alguma crítica, consideraria trabalhar na empresa, a recomendaria ou compraria mais produtos e serviços lançados por ela. ou seja, o consumidor está disposto a premiar essa marca", explica.
A pesquisa quantitativa foi realizada com 2.181 pessoas (homens e mulheres acima de 18 anos) de todos os estados brasileiros. O questionário, no formato online, contou com 101 perguntas fechadas, abrangendo recortes de raça, gênero, orientação sexual, renda, escolaridade, região e situação profissional.
Natália Paiva explica que o objetivo do levantamento era entender o que os brasileiros pensam sobre o tema de diversidade, equidade e inclusão no ambiente corporativo: 37% dos entrevistados avaliaram que as organizações têm desempenho mediano na implementação desses programas formais.
"Isso mostra que houve avanços nos últimos anos, mas é preciso melhorar. A pesquisa fortalece não só a necessidade do ponto de vista moral e de negócio, de investir nessa agenda, mas também encontrar as expectativas dos brasileiros", afirma a CEO da Mover.
Para Natália, o estudo também aprofunda a compreensão sobre as desigualdades racial e de gênero no Brasil: 92% da população reconhece a existência do racismo ou injustiça racial no país.
O relatório mostra ainda que 75% das mulheres sentem muita ou extrema preocupação com a desigualdade de gênero no Brasil. "Outro dado é que 50% das mulheres relatam já ter sofrido discriminação de gênero no local de trabalho ou algum de seus familiares", diz a CEO.
A situação se intensifica quando há o cruzamento entre raça e gênero. Sofrer violência devido à sua identidade é uma das principais preocupações, atingindo 41% das mulheres e 37% das pessoas pretas.


