Início Variedades Maioria das ciclovias de SP têm largura abaixo do mínimo recomendado, diz levantamento
Variedades

Maioria das ciclovias de SP têm largura abaixo do mínimo recomendado, diz levantamento

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Mais de metade das ciclovias da cidade de São Paulo tem largura abaixo do mínimo recomendado para este tipo de estrutura, segundo um levantamento coordenado pelo gabinete da vereadora Renata Falzoni (PSB).

O manual da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) prevê uma medida ideal de 1,5 metro para ciclovia de uma mão (unidirecional) e 2,5 metros para bidirecional (duas mãos), enquanto estabelece como mínimo 1 metro para unidirecional e 1,8 metro para bidirecional.

Segundo o relatório, 55% das ciclovias da cidade não estão dentro desses parâmetros, sendo que 38% do total ainda estão dentro dos limites considerados excepcionais pela CET, de 0,8 metro e 1,6 metro. Os outros 17% ficam abaixo mesmo desse número.

Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito da gestão Ricardo Nunes (MDB) afirma que "tem ciência do relatório mencionado e aguarda a entrega formal do documento atualizado para que vistorias sejam realizadas, avaliando a necessidade de intervenção e manutenção".

Segundo a gestão, a prefeitura mantém um programa de manutenção permanente que já revitalizou 125 km de estruturas cicloviárias. "O planejamento das intervenções leva em consideração as informações do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT) e da Câmara Temática de Bicicleta (CTB), além de solicitações da população ao Portal SP156", diz.

A prefeitura lembra ainda que "a cidade de São Paulo tem a maior malha cicloviária do País, com 771,7 km de extensão, e a meta da gestão municipal é atingir 1.000 km até 2028".

Além do problema da largura, a auditoria chama a atenção para problemas nas intersecções com as vias usadas por veículos automotores. Foram analisados 6.350 destes pontos, dos quais, 2.803 são de semáforos. Metade deles foi considerada insegura.

Os problemas são falta de semáforo específico (casos, por exemplo, em que a via para carros é unidirecional e a ciclovia bidirecional) e falta de tempo semafórico para a travessia de bicicletas (no caso de conversões em que os carros passam por cima da ciclovia).

No total, 22% das interações têm problemas. O trabalho aponta que 22% das sinalizações horizontais são consideradas precárias ou muito precárias. Pelo menos 20,5% do piso foi considerado precário ou muito precário.

Felipe Claros, pesquisador do gabinete de Falzoni, disse que meta da cidade, no Plano de Ação Climática de 2021 é chegar a 4% do total de seus deslocamentos realizados de bicicletas até 2030. Hoje, apesar do aumento no número de ciclistas, poucas regiões chegam a 2%.

A vereadora, que é cicloativista, afirmou que os resultados devem ajudar a embasar o aprimoramento de políticas públicas. "Antes, a luta era por ciclovias, agora é para aumentar e aprimorar esta estrutura existente", diz.

Para fazer o levantamento, a equipe do gabinete treinou mais de 100 ciclistas para mostrar a situação nas regiões e registrar cada uma delas para que o mapa pudesse ser montado com fotos e geolocalização. O trabalho demorou mais de seis meses para ser feito e percorreu 735 quilômetros de ciclovia.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?