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Lula diz que Brasil criará fundo de transição energética com recursos dos combustíveis fósseis

BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta sexta-feira (7) que o Brasil criará um fundo com recursos provenientes da extração de combustíveis fósseis, como o petróleo, para financiar a transição energética do país. O anúncio foi feito na Cúpula do Clima, em Belém, evento que antecede o início oficial da COP30.

Em discurso para autoridades de mais de cem países, ele não chegou a citar diretamente o interesse da Petrobras em extrair petróleo na Foz do Amazonas, mas disse que é válido países em desenvolvimento direcionar parte dos lucros com a exploração de petróleo para a transição energética.

"O Brasil estabelecerá um fundo dessa natureza para financiar o enfrentamento da mudança do clima e promover justiça climática", disse.

Ele também criticou o financiamento de bancos à indústria de combustíveis fósseis. Segundo o presidente brasileiro, os 65 maiores maiores bancos do mundo se comprometeram no ano passado a conceder US$ 869 bilhões para o setor de petróleo e gás.

"Desde a adoção do acordo de Paris, a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética global diminuiu apenas de 83% 83% para 80%", acrescentou.

O presidente pediu para os países aderiem ao Compromisso de Belém, que visa quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis até 2035. Como a Folha de S.Paulo mostrou, o governo, a indústria automobilística e o agronegócio brasileiro se apoiam nessa medida para aumentar a demanda global para os biocombustíveis do país.

Nessa linha, Lula defendeu a adesão de etanol nos setores industriais e de transporte. "Somos pioneiros no desenvolvimento de motores flexíveis e o segundo maior produtor mundial de biocombustíveis; nossa gasolina tem 30% de etanol em sua composição e nosso diesel conta com 15% de biodiesel", afirmou. "O etanol é uma alternativa eficaz e imediatamente disponível para adoção nos setores mais desafiadores, como a indústria e os transportes."

Ainda que indiretamente, ele ainda aproveitou para criticar as pressões do governo dos EUA para adiar em um ano a precificação de descarbonização discutida pela Organização Marítima Internacional. "É lamentável que pressões e ameaças tenham levado a Organização Marítima Internacional a adiar esse passo", disse.

Em outubro, após forte influência do governo de Donald Trump, os países-membros da organização votaram para adiar a medida, vista pelo governo brasileiro como uma forma de aumentar a demanda por biocombustíveis –dentro das negociações, é discutida a ideia de navios cargueiros usarem etanol como combustível.

Para Marta Salomon, especialista em Políticas Climáticas do Instituto Talanoa, o discurso "deu ênfase a acelerar o uso de combustíveis sustentáveis" ao invés de "buscar um compromisso com um prazo" para parar de consumir carvão, petróleo e gás.

"Lula defendeu o uso do dinheiro do petróleo para financiar a transição energética, omitindo o fato que o petróleo representa a maior fonte de emissão de gases de efeito estufa no planeta e que a continuidade da queima agrava as condições climáticas", disse ela.

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