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Lula celebra megaponte na Bahia, mas obra só deve ser entregue em seis anos

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Lula (PT) aproveitou sua última passagem por Salvador para celebrar a megaponte que promete conectar a capital baiana à ilha de Itaparica, mas a obra só deve começar a sair do papel em 12 meses e ser entregue daqui a seis anos.

Na última quarta-feira (2), Lula reconheceu a demora para a construção da ponte. Apesar disso, o presidente deu o caso como resolvido —usando até verbos no passado para descrever o empreendimento.

"Finalmente saiu a ponte de Itaparica. Essa ponte foi um parto difícil. O Rui Costa sabe o quanto ele sofreu. Quantas vezes eu falei com o [líder da China] Xi Jinping: 'Ô, meu amigo, e a nossa ponte? E a nossa ponte? Está acertada? Vai ser construída? Vai começar com um investimento de R$ 11 bilhões e vai ser uma outra revolução para o desenvolvimento da Bahia", disse em entrevista à TV Bahia.

A estrutura é uma promessa antiga das gestões petistas da Bahia. As conversas para viabilizar a ponte datam de 2009, ainda no governo de Jaques Wagner (PT), hoje líder de Lula no Senado. As negociações chegaram a uma nova etapa somente em 2020, quando o governo estadual estava sob Rui Costa, atual ministro da Casa Civil.

Agora, sob o comando de Jerônimo Rodrigues, o terceiro nome do PT em sequência a chefiar a Bahia, um novo acordo foi assinado entre o governo do estado e consórcios de empresas chinesas, responsáveis pela obra.

Mediado pelo Tribunal de Contas do Estado, o novo acordo reajustou o orçamento da obra de R$ 6,3 bilhões para R$ 10,4 bilhões. Deste total, R$ 5 bilhões virão do governo estadual, em um modelo de parceria público-privada.

A ponte terá 12,4 km de extensão. Hoje, para acessar a ilha de Itaparica, que é um dos destinos mais populares do estado os baianos usam principalmente o ferry-boat, que faz a travessia em cerca de 1 hora e é conhecida pelas longas filas para embarcar.

Lula esteve em Salvador para participar das celebrações do 2 de Julho, data de proclamação da Independência da Bahia. Os cortejos marcam a expulsão definitiva das tropas portuguesas do país, em 1823, meses após a proclamação da independência do Brasil em 7 de setembro de 1822.

Ao longo de seu terceiro mandato na Presidência, Lula esteve presente nas três edições da festa. Nesta última participação, estava acompanhado da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja, e de Jerônimo, Wagner e Rui.

A fala de Lula sobre a obra foi explorada por integrantes da oposição para apontar a inexistência da ponte até o momento. ACM Neto, vice-presidente do União Brasil, partido da base do governo que vem em crescente divergência com o petista, fez uma postagem questionando a declaração.

Neto, que foi prefeito de Salvador de 2013 a 2021, relembrou as promessas de entrega da obra e ironizou a celebração de Lula. Ele é um dos principais nomes da oposição ao PT no estado.

"O presidente disse que a ponte saiu. Mas, presidente, saiu aonde? Saiu para quem? Porque o PT da Bahia prometeu a ponte em 2009. Disse que iria inaugurá-la em 2013. De lá para cá, já se passaram 16 anos e ainda não há uma estaca sequer batida da obra da ponte Salvador-Itaparica. Efetivamente, o presidente Lula poderia ter passado lá mostrar onde é que está essa obra", disse.

O consórcio de empresas chinesas é formado pela CCCC (China Communications Construction) e pela CCECC (China Civil Engineering Construction Corporation). O grupo pediu, neste último encontro, a revisão do contrato alegando encarecimento dos insumos após a pandemia da Covid-19.

Ficou acordado que o governo ainda pagará contraprestações anuais de R$ 371 milhões nos primeiros 10 anos de operação da ponte e R$ 170 milhões nos 19 anos seguintes. Assim, o gasto público com o projeto será de ao menos R$ 12 bilhões, quatro vezes mais que o previsto inicialmente.

De acordo com o consórcio, são seis anos para projeto, licenciamento e construção e 29 anos de concessão após a implantação do empreendimento, por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP) com o governo do estado. A partir de junho de 2026, há um prazo de cinco anos para construção.

Procurada, a Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência) afirmou que não há contradição na fala de Lula, visto que o presidente afirmou que a ponte ainda será construída.

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