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Levantamento do Inpe diz que focos de incêndio na Amazônia são maiores em 12 anos para setembro

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um novo levantamento do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostrou que o país registrou 76.587 focos de incêndio na Amazônia até o dia 19 de setembro deste ano, recorde nos últimos 12 anos.

Os dados oficiais do Inpe contradizem o discurso feito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, realizado nesta terça-feira (19), que afirmou que a vegetação nativa do Brasil, que cobre "dois terços de todo o território brasileiro", está "exatamente como estava quando o Brasil foi descoberto em 1500".

QUEIMADAS EM SETEMBRO ATÉ AGORA SÃO QUASE O DOBRO DO MÊS EM 2021

O Inpe aponta em seu site de monitoramento que a quantidade de queimadas nos 19 primeiros dias de setembro deste ano somam 30.565.

O número é quase o dobro de tudo que foi registrado em todo o setembro de 2021, quando foram 16.742.

Comparado ao mesmo período do ano passado, a alta é de 52%, quando foram 50.333 focos registrados.

Para achar um número maior, é preciso voltar até 2010, quando foram monitorados 85.858 focos.

MARINA SILVA CONTESTA DADOS CITADOS POR BOLSONARO

Em participação no UOL News após o discurso do presidente, a ex-ministra do Meio Ambiente e candidata a deputada federal Marina Silva (Rede) avaliou que dizer que a floresta está "intocada" é uma distorção dos fatos.

Na ONU, Bolsonaro disse: "A Amazônia brasileira, área equivalente à Europa Ocidental, mais de 80% da floresta continua intocada, ao contrário do que é divulgado pela grande mídia nacional e internacional".

"Uma coisa é o corte raso, outra é a degradação, quando você faz o corte seletivo, tira árvores nobres e deixa a floresta empobrecida. Ele pega o corte raso, faz comparações e desconhece outras formas de destruição da floresta, como essas áreas degradáveis, que não teve corte raso, mas teve corte seletivo de madeira. Essa floresta fica suscetível a incêndios criminosos que são propositadamente feitos a cada ano para depois avançar sobre essas áreas", disse a ex-ministra.

"Bolsonaro foi obrigado a falar de meio ambiente porque é um tema que se torna cada vez mais relevante, e no Brasil entra no debate eleitoral", opinou.

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