SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prevent Senior, que concentra 58% das mortes por Covid-19 de São Paulo, diz que seus números mostram um retrato real da pandemia, e que pior seriam os óbitos que estão ocorrendo na capital e que não aparecem nas estatísticas oficiais, estão subnotificados. Em entrevista, Fernando Parrilo, 52, presidente da Prevent Senior, e Pedro Benedito Batista Júnior, 36, diretor-executivo, rebatem críticas de autoridade como o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta sobre o alto número de mortes registrado pela operadora. Eles dizem que a taxa de mortalidade de seus pacientes com Covid-19 acima de 80 anos está em 12% e é mais baixa do que a divulgada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) para infectados para esse perfil de doente, de 14,8%. "É preciso olhar para esses 79 óbitos da maneira mais correta possível. A cidade de São Paulo não tem a estrutura técnica para diagnosticar todos os óbitos como nós temos. Sobre os nossos óbitos eu tenho certeza. O problema são os óbitos que não estão sendo vistos, as famílias que não estão tendo essa resposta", diz Batista Júnior. Segundo eles, as críticas são resultantes do desconhecimento sobre a seriedade com que a empresa atua há 23 anos em São Paulo. "Nada de errado foi confirmado, temos os laudos que mostram a nossa idoneidade e a nossa qualidade." O que explica o fato de 58% das mortes por Covid-19, 79 de 136, terem ocorrido em hospitais da Prevent Senior? Pedro Benedito Batista Júnior: Nós possuímos 25% da população idosa de São Paulo, que é de 1,8 milhão de pessoas acima de 60 anos. Temos 80 mil acima de 80 anos, uma população extremamente frágil. Nossa taxa de mortalidade nessa faixa etária é de 12%, abaixo da taxa média divulgada pela OMS que é de 14,8%. O meu dado é real, tenho prontuário de todos os pacientes, tenho controle absoluto sobre esses dados. Os meus números mostram cada vez mais que a minha realidade é a realidade do que está acontecendo em São Paulo. Há famílias relatando casos de pacientes que foram a óbito no dia 3 de março na cidade e que ainda não têm o resultado do exame. Muitas dessas mortes suspeitas podem nunca ser confirmadas. Eu dou a resposta correta para o meu paciente e o mais rapidamente possível. Nós disponibilizamos relatórios para todas as instituições de vigilâncias sanitária e epidemiológica, ANS [Agência Nacional de Saúde Suplementar], e todas elas comprovam a veracidade de tudo. Qual é a situação hoje? Batista Júnior: Sobre óbitos, é o que a secretaria tem divulgado, 59 óbitos [até sexta]. Realizamos 1.100 exames, foram necessárias quase 600 internações, temos hoje 275 pacientes internados e já tivemos mais de 200 altas de pacientes tratados que já estão em casa no seu final de recuperação. Ontem mesmo [quinta-feira, dia 2 de março] eu liguei para dois pacientes, um de 92 e outro de 93, que tiveram positividade no dia 23, foram tratados com a medicação, responderam muito bem e já estão em casa. O tratamento foi precoce nos primeiros dias de sintomas. Fernando Parrilo: Com a quantidade de casos que recebemos, conseguimos ajustar o dia exato, a hora exata de entrar com tratamento. Por isso, está dando muito mais efeito. A primeira semana foi de susto. A minha mãe [aos 75, teve o diagnóstico de Covid-19, ficou em ventilação mecânica, mas que já não está mais entubada] não teve a sorte, a gente não tinha ainda o entendimento da hora de entrar com a medicação, ela entrou um pouco mais tarde. Ainda não tinha sido aprovado o protocolo pela Anvisa. Vocês estão falando da hidroxicloroquina, certo? Batista Júnior: Hidroxicloroquina de 400 mg em associação com a azitromicina. Isso tem se mostrado muito efetivo quando a gente entra com o tratamento quando a tomografia mostra que o padrão das lesões no pulmão está próximo dos 25%. O acompanhamento hospitalar é fundamental. A gente entendeu que o tratamento não era para começar no sétimo dia, quando o paciente está no ápice da sintomatologia e do processo inflamatório, mas, sim, no segundo dia. Com o paciente muito idoso, quando você entrava no sétimo dia, o processo inflamatório já estava evoluído. Foi o que aconteceu com a mãe dos meninos [Fernando e Eduardo Parril]. Nesses casos, a associação da hidroxicloriquina e da azitromicina até serve para despencar a carga virar e parar de agredir o organismo. Por ser idosa, já tinha sido agredida, precisou de tubo, precisou de UTI. Infelizmente não é o melhor cenário. O melhor cenário é entrar com a medicação no dia 2. Entre o dia 4 e o dia 5, os pacientes começam a ter melhora sintomática progressiva. No dia 6, alta hospitalar. Já demos alta para 200 pacientes com padrões radiológicos e clínicos positivos para Covid-19. Mas ainda é um tratamento controverso, não há evidências sobre eficácia e segurança. Batista Júnior: O que a gente percebe é que os estudos que desacreditam a hidroxicloroquina analisaram casos em que a medicação foi introduzida tardiamente. Eu tenho isso comprovado também. No dia 7 essa evolução não faz muito efeito porque muitos pacientes não vão morrer. Mas se ficar 15, 20 dias de UTI, isso deprecia muito a qualidade de vida. E os pacientes que morreram, quantos usaram a substância? Batista Júnior: A grande maioria, por isso que fica muito claro que a história natural da doença é muito agressiva. Se a gente não introduz o tratamento no momento adequado, a medicação não tem efeito nenhum. Ter descoberto isso antes poderia ter evitado tantas mortes? Parrilo: Não. Faltou foi isolamento precoce. O nosso erro foi ter deixado o Carnaval acontecer. Se tivéssemos feito tudo isso que estamos fazendo agora no final do ano passado, teria dado tempo para essas descobertas terem sido reveladas pelo menos no mundo acadêmico. A Prevent Senior tem recebido críticas de autoridades de saúde, inclusive do ministro da Saúde, Mandetta. A que vocês atribuem isso? Parrilo: Desconhecimento sobre a operadora e a seriedade com que a gente trabalha. A gente entende que o momento é complicado, o país não estava esperando que isso acontecesse de forma tão rápida, as pessoas estão cansadas, trabalhando muito, não têm informações corretas. Batista Júnior: Essa preocupação do ministro e das secretarias de saúde já virou passado. Foi feito o trabalho certo de fiscalização, as equipes foram até os nossos hospitais. Agora é caso encerrado porque os laudos são positivos. Faz 23 anos que a gente trabalha com hospitais e os laudos são positivos, temos várias certificações, inclusive internacionais. Em várias situações, somos referência no mundo. Nada de errado foi confirmado, temos os laudos que mostram a nossa idoneidade e a nossa qualidade. Ficamos indignados com os pronunciamentos, gera uma insegurança para a população. São 475 mil pessoas abaixo de nós. Num momento como esse, causar esse tipo de insegurança, não é uma boa forma de administrar uma crise. A empresa tem musculatura financeira para suportar esse momento de crise? Há algum risco de quebrar? Parrilo: Quebrar hoje seria muito difícil. Os dados financeiros da empresa são consistentes. Caixa a gente tem. Dá para perceber que ela passa por essa e acho por mais uma três [crises]. Tomara que não, né? Parrilo: [risos] Se precisar, tem suporte. Somos tão conversadores que acho que podemos passar por mais umas duas. O mercado da saúde suplementar está preocupado com o impacto dessa crise. Vocês não? Parrilo: A nossa inadimplência é muito baixa em relação ao resto do mercado, não chega a 1%. Uma pessoa com mais idade não pode parar de pagar o seu plano. Essas projeções do mercado partem de uma perspectiva errada só porque o público idoso é mais acometido pela doença. Há 23 anos temos esse risco. Os outros planos não quiseram esse risco. A empresa já se preparou -não para uma pandemia, lógico, mas para que a gente aguentasse qualquer tipo de pressão. Nós já vínhamos num processo de expansão, a operadora tem 14 novos imóveis na cidade de São Paulo. Em Santos e no Rio vão ser inaugurados nos próximos meses. Tudo isso está mantido. Existem leitos de UTI suficientes? Parrilo: Temos leitos suficientes, mas não podemos desistir do isolamento. A população não pode voltar para as ruas. Se voltar, é catástrofe total. Batista Júnior: E não é só para o idosos internado com coronavírus. Se o jovem sofrer um acidente e o hospital estiver lotado de Covid-19, não terá a menor condição de atendê-lo.



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