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Jovens pelo mundo fazem greve pedindo ações contra as mudanças climáticas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Greta Thunberg tinha 15 anos em agosto do ano passado, quando deu início ao seu protesto solitário, faltando às aulas toda sexta-feira para protestar contra a crise climática.

Nesta sexta (15), milhares de jovens, espalhados em mais 120 países, juntaram-se à mocinha, cuja figura emoldurada por longas tranças se tornou famosa a partir de 2018.

Segundo a ONG climática 350.org, mais de 1,4 milhão de adolescentes foram às ruas em 300 cidades. Só em Paris, cerca de 30 mil aderiram à greve, segundo a polícia.

Os jovens saíram de suas escolas e ocuparam as ruas em cidades como Wellington, Sydney, Bangcoc, Rio, Hong Kong, Kampala, Roma, Boston, Bogotá, Daca, Durban, Lagos e Londres.

Com 16 anos completados em janeiro, Greta parece ainda uma criança, aspecto causado em parte pelo emagrecimento após uma longa depressão, que ela atribui à constatação de que, talvez, não houvesse uma Terra para ela quando crescesse.

Na última quarta (13), um comitê de políticos socialistas da Noruega indicou a ativista para o Prêmio Nobel da Paz, que será dado em dezembro.

Se o nome de Greta Thunberg for escolhido, ela se tornará a pessoa mais jovem a receber a honraria, título que hoje é de Malala Yousafzai, premiada aos 17, em 2014.

Foi um caminho de anos destrinchando por conta própria, em livros, vídeos e gráficos, a questão que lhe tirara o apetite aos 11, após uma aula na escola. Qual seria a razão de estudar se não houvesse um futuro?

Nascia assim o embrião do movimento Fridays for Future, sextas-feiras pelo futuro, que se espalhou mundo afora, primeiro na Europa, mas que hoje atinge hoje todos os continentes, com alunos se paralisando em repetidas ocasiões pela causa propelida pela jovem sueca.

Filha de uma cantora lírica famosa em seu país, Malena Ernman, e de um escritor e ator, Svante Arrhenius, Greta recebeu no fim da infância o diagnóstico de Asperger, síndrome dentro do espectro autista.

A garota retraída, que é atacada por mutismo em certas ocasiões tensas, foi apesar disso capaz de discursar para multidões e entre os grandes nomes da economia global em Davos pela causa que escolheu.

"Não sou a origem do movimento. Ele já existia. Precisava apenas de uma faísca para acender", disse Thunberg nesta sexta (15), enquanto um manifestante agitava um cartaz com um jogo de palavras em referência à ativista: "Make the planet Greta again", em referência ao slogan de campanha do presidente americano Donald Trump, crítico contumaz de ações contra as mudanças climáticas.

"Vivemos uma crise existencial ignorada durante décadas. Se não agirmos agora, será muito tarde", disse Greta.

Na Suécia, as escolas autorizaram os alunos a protestar sem levar falta. Nos Estados Unidos, onde a jovem Alexandria Villasenor, 13, vem faltando às aulas toda sexta desde dezembro para protestar em frente à sede da ONU, em Nova York, esperava-se a mobilização de 100 mil alunos.

Na Nova Zelândia, as escolas advertiram que marcariam a falta dos estudantes.

Na Austrália, o ministro da Educação, Dan Tehan, também questionou os protestos. "Que os estudantes abandonem as escolas durante o horário de aula para protestar não é algo que deveríamos estimular", disse.

No México e no Brasil o grito de Greta não chegou com tanta força. Grupos pequenos aderiram ao movimento. Veja a lista completa em fridaysforfuture.org/events/list.

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