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Itália traz praça flutuante para COP30 e doará obra para Belém

Por Folha de São Paulo

09/11/2025 16h45 — em
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MILÃO, ITÁLIA (FOLHAPRESS) - Uma praça flutuante sobre o rio Guamá, em Belém, vai funcionar como parte do pavilhão italiano durante a COP30, a conferência do clima da ONU. Com capacidade para cerca de 150 pessoas, a estrutura servirá como espaço para debates e eventos. Após o fim da conferência, em 21 de novembro, será doada pela Itália ao Brasil e poderá ficar de forma permanente na cidade.

Projetada pelo arquiteto italiano Carlo Ratti, a plataforma de aço foi construída no norte da Itália, participou por duas semanas, em setembro, da Bienal de Arquitetura de Veneza e foi transportada pelo oceano até Belém, onde chegou em meados de outubro. Desde então, passou por adaptações, como a instalação de um teto.

Com o nome de AquaPraça, a estrutura ficará ancorada nas próximas semanas em frente ao espaço cultural Casa das Onze Janelas.

Segundo Ratti, a ideia da plataforma nasceu durante os trabalhos para a Bienal de Arquitetura, da qual ele é curador neste ano --a mostra fica em cartaz até 23 de novembro. A intenção era construir uma estrutura que interagisse com a água e que pudesse ser usada como espaço público. Uma ágora flutuante, como ele a chama.

"A inspiração foi o Teatro del Mondo, de Aldo Rossi, um teatro de madeira que flutuou em Veneza há 45 anos", disse Ratti à Folha, em referência à instalação criada pelo arquiteto italiano (1931-1997). "Mas enquanto a estrutura de Rossi repousava sobre o mar, a AquaPraça interage com ele. Ela se move, se adapta e entende o seu entorno, encontrando o mar no nível dos olhos."

A plataforma, com 400 metros quadrados, foi construída com 175 toneladas de aço marítimo reciclado. É um quadrado projetado com níveis e desníveis, que inclui tanques de lastro para permitir a sua movimentação de acordo com a água.

"Queríamos criar uma ágora, o coração urbano do discurso público nas origens das cidades. A geometria inclinada surgiu naturalmente dessa função de arena", afirma Ratti, sobre a forma. Em seu ponto mais alto, os visitantes ficam a 80 centímetros acima da água, enquanto no mais baixo, estão cerca de 1 metro abaixo. Ao centro, um corte permite a entrada da água do mar.

Para colaborar com o projeto, Ratti convidou o escritório de arquitetura Höweler + Yoon, de Boston (EUA). "Chegamos a um desenho com uma espécie de plano inclinado, e para atingir a altura dos olhos seria preciso inclinar-se para baixo. Para isso, também seria preciso inclinar-se para cima, em equilíbrio. Essa gangorra de planos é o conceito", disse Eric Höweler.

"É uma arquitetura de equilíbrio. Sensores monitoram os níveis da água, as ondas e a ocupação, ajustando os tanques de lastro para manter o equilíbrio. Ela se comporta quase como um organismo vivo", diz Ratti.

O projeto recebeu o apoio de empresas e do governo italiano, por meio dos ministérios de Relações Exteriores e Ambiente, e foi pensado desde o início para ser parte do pavilhão do país em Belém, um complemento da estrutura que estará na Zona Azul, onde vão ocorrer as negociações oficiais.

"Belém, como Veneza, vive em simbiose com a água. Uma é lagunar, a outra fluvial, mas ambas estão na linha de frente das mudanças climáticas. São laboratórios naturais de adaptação e vida cívica na água", afirma o arquiteto sobre os pontos em comum entre as cidades.

Após a breve participação na bienal, a plataforma foi transportada em uma embarcação, que cruzou o mar Mediterrâneo e o estreito de Gibraltar e atravessou o Atlântico. Segundo Ratti, a sugestão de ancorar na Casa das Onze Janelas partiu da organização brasileira do COP30.

Em Belém, além do teto para proteção contra o sol e a chuva, a estrutura precisou ter parapeitos adicionados. Segundo Ratti, a plataforma será doada ao Brasil para ser uma infraestrutura cultural. Ainda está em definição qual instituição ficará responsável por sua manutenção e programação.


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