A emoção de verdade veio quando recebeu uma mensagem de Paulo Gorgulho, o Zé Leôncio anterior, cumprimentando-o pela forma como está dando vida ao personagem que ele criou. Renato ainda estava gravando a novela no começo de março. A estreia na semana passada praticamente coincide com o lançamento, nesta terça, 5, do longa que ele fez com Paulo Fontenelle. Inverno estreia no Telecine Touch, às 22h, na bandeira Première Telecine. Ele avalia: "Isso tem ocorrido na minha carreira. Cinema e TV se nutrem, e me nutrem". No começo da pandemia, praticamente estrearam juntos a novela Órfãos da Terra e o longa de Marcos Prado, Macabro, em que fazia policial que caçava dois irmãos, assassinos seriais, na região serrana do Estado do Rio.
Foi curiosa a gênese de Inverno. Renato deveria fazer um filme com Paulo Fontenelle, o diretor de Lóki. Mostrou-lhe o roteiro escrito por sua mulher. "A Thaila (Ayala) gosta de escrever. Criou essa história que tem tudo a ver com o momento atual que ainda estamos vivendo. É sobre casal isolado numa casa, durante a pandemia." Chega uma amiga dela para morar com eles." O nome da amiga consta de uma lista de mortos da covid-19 e a mulher vive o trauma das consequências de um aborto. "Mostrei a história para o Paulo e, por uma série de circunstâncias, nosso projeto mudou. Em dois meses, estávamos rodando Inverno, deixando o outro para depois." A produção doméstica foi rodada na própria casa de Thaila e Renato. A casa, muitas vezes filmada à noite, vira personagem. "Fizemos uma reforma e ela mudou bastante, para desanuviar o clima."
A casa localiza-se em Itanhangá, bairro do Rio. Cinema de gênero. "A Thaila sabe tudo de cinema de horror e o Paulo trouxe as referências dele, filmes como O Bebê de Rosemary (de Roman Polanski) e O Iluminado (de Stanley Kubrick)." Em ambos, como em Inverno, o apartamento e o hotel são personagens. Renato não cita, mas há um terceiro filme, Os Outros, de Alejandro Amenábar. Quem eram os mortos na casa de Nicole Kidman, durante a Guerra Civil espanhola? Quem são agora os... Olha o spoiler!
Como filme de clima, Inverno recorre a muito claro/escuro e a planos que criam efeitos geométricos para isolar os personagens no quadro. Fotografia caprichada - de Breno Cunha. "Já tenho estrada, venho de Cidade de Deus e fui fotógrafo em Amor de Mãe, chamado justamente por causa de minha experiência no cinema. Sinceramente, não vejo muita diferença se estou fotografando para cinema ou TV. Sirvo à história e quero deixar minha marca." Mas ele concorda com o repórter - a bela fotografia de Inverno realçaria melhor suas qualidades, a luz e a sombra, na tela do cinema. E Renato, vai tirar folga depois de Pantanal? "Não, já estou escalado para a próxima novela das 6, depois de Além da Paixão. Será Mar do Sertão. Depois de tanto tempo isolado pela pandemia, quero mais é trabalhar", diz.



