Início Variedades Incêndio adia negociações, energia solar no auge e alertas sobre Turquia; veja como foi o 11º dia da COP30
Variedades

Incêndio adia negociações, energia solar no auge e alertas sobre Turquia; veja como foi o 11º dia da COP30

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A expectativa de que o penúltimo dia da COP30 fosse marcado pela publicação de um novo rascunho da decisão final foi quebrada por um incêndio em um pavilhão do evento. Não houve feridos graves, mas o tumulto e a preocupação com a segurança foram responsáveis pela suspensão das negociações.

Antes disso, ao longo dos dias da conferência, um setor energético chegou com força a Belém e mostrou que quer concorrer com as grandes empresas petroleiras e ser um caminho para a transição para longe dos combustíveis fósseis.

E embora a COP30 não tenha acabado, já é tempo de olhar também para a próxima conferência. Para o professor Karabekir Akkoyunlu, a escolha da Turquia como país-sede da COP31 é uma vitória política para o presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, mas há temas específicas que acendem o sinal amarelo.

1. INCÊNDIO ATINGE PAVILHÕES DA COP30 E INTERROMPE NEGOCIAÇÕES CLIMÁTICAS

Um incêndio atingiu a zona azul da COP30, em Belém, no início da tarde desta quinta-feira (20), causando pânico, retirada total das pessoas e suspensão das negociações. As chamas começaram nos pavilhões de países africanos, possivelmente por falhas em equipamentos eletrônicos, e duraram cerca de seis minutos. Ninguém teve queimaduras, mas 21 pessoas foram atendidas por inalação de fumaça ou crises de ansiedade. Participantes só puderam retornar ao local à noite, após vistoria. O incidente ocorreu em meio às disputas finais dos textos do acordo e pode afetar o clima político da conferência.

A estrutura da COP30 já enfrentava críticas por problemas elétricos, alagamentos e falhas de segurança apontados pela ONU antes mesmo do evento. O episódio intensificou críticas sobre a infraestrutura da conferência. Na zona verde, atividades foram encerradas mais cedo para servir de área de dispersão.

LEIA MAIS.

2. INDÚSTRIA DA ENERGIA SOLAR CELEBRA INFLUÊNCIA NA COP30 E CANTA 'HERE COMES THE SUN'

A indústria solar exibiu força e otimismo em eventos paralelos à COP30. Executivos celebraram a expansão rápida do setor, que deve instalar quase 700 gigawatts de nova capacidade neste ano e já recebe investimentos anuais de US$ 500 bilhões.

O momentum político também é favorável: mais de cem países se comprometeram a triplicar a energia limpa, e o setor lançou a meta de quadruplicar o número de casas com painéis até 2030. A China segue como principal motor da expansão, enquanto Índia, Arábia Saudita e Brasil ganham relevância.

Apesar do crescimento acelerado e da crescente influência, líderes admitem que o poder político do segmento ainda não se compara ao da indústria de petróleo e gás. O setor pressiona governos e se beneficia do avanço estratégico de países que veem na energia solar uma via para competitividade e desenvolvimento. Ainda assim, executivos afirmam que, embora a energia solar já produza mais eletricidade que as grandes petroleiras, a disputa por influência ainda está em curso.

LEIA MAIS.

3. ANÁLISE: COP31 NA TURQUIA É VITÓRIA PARA ERDOGAN, SOB RISCO DE GREENWASHING E REPRESSÃO POLÍTICA

A escolha da Turquia para sediar a COP31 representa um triunfo político para o presidente Recep Tayyip Erdogan, que busca ampliar sua projeção internacional. O país argumenta ocupar uma posição estratégica entre Europa, Oriente Médio e Ásia, além de ser uma economia relevante cujas decisões climáticas impactam diretamente as emissões globais.

Antália, a cidade turca que vai sediar a conferência, deve oferecer logística mais simples que Belém, mas também um aparato policial que tende a limitar protestos —um contraste com a forte participação da sociedade civil observada na COP30 no Brasil. O histórico turco de repressão a manifestações, restrição de liberdades civis e politização do Judiciário lança dúvidas sobre o espaço democrático da futura conferência.

A credibilidade climática da Turquia também é questionada: o país segue ampliando o uso do carvão, promove megaprojetos controversos e mantém um licenciamento ambiental permissivo. Nesse cenário, há risco de que a COP31 vire vitrine de greenwashing, reforçando a tendência de governos autoritários usarem megaeventos para construir uma imagem internacional polida.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?