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Hcor procura voluntárias para testar técnica de congelamento de tumores na mama

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Instituto de Pesquisa do Hcor (Hospital do Coração), em São Paulo, deu início a um estudo clínico que busca comprovar a eficácia da crioablação, técnica de congelamento do câncer de mama, em comparação à cirurgia convencional no tratamento do tumor mamário em estágio inicial. A instituição busca voluntárias para a pesquisa até 15 de agosto.

A coordenação desta fase do estudo é do Hcor, com o apoio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). Os interessados em participar precisam ter mais de 18 anos e preencher o formulário disponível no site do Hcor. As informações serão analisadas pela equipe de pesquisa, que entrará em contato com as candidatas elegíveis.

A pesquisa prevê a inclusão de 750 mulheres com mais de 18 anos diagnosticadas com câncer de mama invasivo e cuja primeira linha de tratamento indicada seja a cirurgia. Ou seja, pacientes que já receberam essa recomendação, mas ainda não iniciaram nenhum tipo de tratamento.

A proposta é investigar se a crioablação pode ser uma alternativa segura, eficaz e menos agressiva do que a abordagem cirúrgica tradicional, com melhor recuperação e preservação da qualidade de vida das pacientes, além de potencial contribuição para redução de custos e sobrecarga ao SUS (Sistema Único de Saúde).

As 750 pacientes serão divididas em dois grupos: metade receberá o tratamento com crioablação, enquanto as demais passarão pela cirurgia tradicional. A inclusão será restrita a pacientes com tumores de até 2 cm, sem metástases na axila ou em outros órgãos.

"A nossa perspectiva é que esse procedimento seja tão eficaz quanto a cirurgia, mas com muitos outros benefícios, a exemplo do tamanho da incisão, do corte. A crioblação é do tamanho de uma punção, é milimétrico. A cirurgia, por mais conservador que eu seja, faz um corte de 4 cm a 5 cm", explica o professor da Unifesp e um dos coordenadores da pesquisa, Afonso Nazário.

Na primeira etapa do estudo, a técnica mostrou 100% de eficácia em pacientes com câncer de mama em estágio inicial. O procedimento é minimamente invasivo, sendo uma alternativa à cirurgia para remoção do tumor. Ele consiste na inserção de uma agulha fina na região afetada, por onde é aplicado nitrogênio líquido a uma temperatura de aproximadamente -140ºC. Essa aplicação forma uma esfera de gelo que destrói as células tumorais.

O procedimento é realizado em ambiente ambulatorial, com anestesia local, e permite que as pacientes retornem para casa no mesmo dia, sem necessidade de internação ou repouso prolongado.

Participaram da primeira fase 60 pessoas com tumores de até 2,5 cm e que tinham indicação para cirurgia. O estudo demonstrou que nas 48 pacientes com tumores de até 2 cm, a crioablação eliminou completamente o câncer. Nos outros 12 casos de tumores entre 2 e 2,5 cm, 8% dos participantes ainda apresentaram pequenos focos residuais da doença após o procedimento.

Em todos os casos, foi realizada uma cirurgia conservadora da mama após a crioablação, que consistiu na remoção do quadrante afetado e dos linfonodos axilares. A retirada de gânglios linfáticos, ou linfonodos, é o padrão no tratamento do tumor mamário, para verificar se as células cancerígenas migraram para o sistema linfático.

Na etapa atual da pesquisa, os médicos não farão qualquer intervenção cirúrgica, porque o corpo gradualmente reabsorve as células destruídas pelo processo de congelamento.

A técnica já é utilizada em países como Estados Unidos, Japão, Israel e Itália, mas ainda não está disponível no SUS. Apesar de a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ter aprovado o procedimento para outros tumores, como renal e ósseo, a crioablação para câncer de mama ainda não foi autorizada no país.

Os resultados mais robustos da pesquisa do Hcor devem sair apenas em 2030, mas, como a maior parte das recorrências ocorre nos dois primeiros anos, esse período já deve fornecer dados suficientes para avaliar a eficácia do tratamento, aponta Nazáerio.

"A expectativa é que, nesse prazo, a gente consiga apresentar ao Ministério da Saúde evidências de que a técnica é tão eficaz quanto a cirurgia, o que pode abrir caminho para sua incorporação no SUS", acrescenta o pesquisador.

Vale destacar que a crioablação não substitui outros tratamento do câncer de mama, como radioterapia e quimioterapia. Isso porque o tumor mamário deve ser tratado de forma sistêmica. Uma paciente pode fazer, por exemplo, o congelamento das células cancerígenas, combinado com hormonioterapia, para bloquear a produção de hormônios que estimulam o crescimento do tumor.

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