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Grupo tenta impedir clube Hebraica de cortar árvores para fazer quadras de beach tennis

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um grupo de associados do A Hebraica, tradicional clube da comunidade judaica em São Paulo, tenta impedir projeto da instituição que prevê cortar 14 árvores para dar lugar a quadras de beach tennis. Procurada nesta quinta (27), a entidade não comentou.

O tema é discutido dentro do clube há pelo menos um ano, segundo apurou a Folha, e ganhou força com a eleição da atual diretoria no final de 2024. As árvores a serem cortadas estão em um bosque na parte de trás da instituição, cuja sede está situada à rua Hungria, região do Jardim Europa, na zona oeste.

A reportagem perguntou à Prefeitura de São Paulo na manhã desta quinta sobre os termos da autorização pela supressão dos exemplares. Em nota, a gestão Ricardo Nunes (MDB) não respondeu se houve ou não aval ao corte de árvores e afirmou que não "não consta projeto edilício protocolado para ampliação do espaço" na Secretaria de Urbanismo e Licenciamento.

Documento obtido pela Folha mostra que essa autorização existe desde o início do ano.

Assinada pela subprefeitura de Pinheiros, o termo permite a supressão de 14 árvores e a compensação do corte com o plantio de outras 14 --número inferior ao previsto no projeto das quadras de beach tennis, também obtido pela reportagem.

A planta do projeto é de agosto, data posterior à autorização concedida pela subprefeitura de Pinheiros, e fala em 15 supressões e no plantio de 26 mudas a título compensatório.

Associados críticos ao corte das árvores chegaram a organizar abaixo-assinado online que reunia 2.808 adesões até as 20h desta quinta-feira.

O texto que acompanha a petição diz que o bosque "é um dos últimos redutos de natureza em nosso clube, imensamente apreciado por seus frequentadores, e parte essencial do patrimônio de 'A Hebraica'".

"As árvores proporcionam aos associados um pouco de ar puro, de silêncio e de verde -frutos preciosos, ainda que não comestíveis, para os moradores de uma cidade permanentemente castigada pela fumaça, pela trepidação e pelo frenesi incessante", acrescenta.

Além do abaixo-assinado, associados organizam também uma manifestação em frente à sede do clube para este domingo (30), dia em que estão previstas eleições para parte do conselho da instituição.

O bosque já foi objeto de intervenção em anos anteriores em projeto também destinado a quadras de beach tennis.

Associados manifestaram preocupação à diretoria da instituição. Um deles foi o professor José Goldemberg, 97, ex-reitor da USP e ex-secretário estadual do Meio Ambiente de São Paulo.

Em carta enviada à presidência da Hebraica, Goldemberg disse que não se substituem "árvores frondosas por sua contribuição ao microclima e ao ecossistema que resiste ali". A compensação, disse ele, "é algo que vai demorar 30 anos".

"Aos 97 anos, caminho todos os dias nesse bosque. Esse hábito começou quando o trajeto ainda era de barro. Meus filhos e netos cresceram brincando nesse bosque. Ainda hoje, caminho com minha esposa e filha diariamente nele."

O caso ganhou repercussão também entre familiares de fundadores do clube.

Frequentador assíduo do clube durante a juventude, o ex-deputado Fábio Feldmann, um dos fundadores da SOS Mata Atlântica, afirmou à Folha que não vê motivos para o corte de árvores. "Meu pai foi um dos primeiros mil sócios do A Hebraica", diz Feldmann, que hoje integra o clube na condição de sócio licenciado em razão do trabalho.

"Acho realmente que a ideia de substituir esse bosque por quadras é um atentado contra os sócios e seus filhos, contra as futuras gerações."

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