Grupo liderado por Trajano pede justiça climática de gênero e cria COP das Mulheres em Belém
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - "Mais do que nunca, as mulheres têm de estar junto para decidir sobre o clima", diz a empresária Luiza Trajano, presidente e uma das fundadoras do Grupo Mulheres do Brasil, que coordenou a construção de uma Carta das Mulheres para a COP30 e que promove, nesta sexta (14) a COP das Mulheres, em Belém.
"As mulheres têm de estar nas decisões do clima primeiro porque elas são muito afetadas, porque elas cuidam dos filhos e, muitas vezes, o marido vai e são elas que ficam. Segundo, porque a mulher tem uma capacidade de fazer acontecer e uma resiliência muito grande", completa ela, poucas horas depois de pousar na capital paraense.
Mulheres e meninas sofrem impactos desproporcionais de eventos climáticos extremos, especialmente as negras, indígenas, periféricas, ribeirinhas e quilombolas. Ao mesmo tempo, a representação feminina nas tomadas de decisão sobre o clima é baixa.
Esses dois fatores levaram o Grupo a criar o evento paralelo que vai reunir lideranças femininas locais e de todo o país em torno de discussões sobre transição climática justa que considere as questões de gênero.
"Precisamos aumentar o nível de consciência de que as mulheres são mais afetadas pelas mudanças climáticas", afirma Andreia Schroeder, diretora de Políticas Públicas e Relações Institucionais do Grupo Mulheres do Brasil.
Entre as lideranças presentes no evento, estarão as ativistas ambientais indígenas Vanda Witoto e Jennyffer Bransfor, executivas, representantes de fundos de financiamento, de ONGs, associações e organizações locais. As ministras Márcia Lopes (Mulheres), Marina Silva (Meio Ambiente) e Margareth Menezes (Cultura) também confirmaram presença na mesa de abertura, bem como a vice-governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB).
A COP das Mulheres é um desdobramento da Carta das Mulheres para a COP30, um documento construído de forma coletiva e suprapartidária pensado como um instrumento de incidência política sobre equidade de gênero em questões relacionadas ao clima.
O documento nasceu do encontro Bancada Feminina na COP30, que reuniu em Brasília em outubro deste ano organizações, representantes políticas e coletivos de mulheres de toda as regiões do Brasil. A partir dele, foi feita uma consulta via redes de mulheres em todos os estados do país e foram coletadas 190 contribuições de organizações e pessoas físicas.
"É um documento profundamente democrático, da qual 190 comunidades participaram para dizer o que seria mais importante para a mulher para cuidarmos melhor do clima e da natureza", explica Trajano. "A carta resume bem o clamor de uma sociedade feminina."
O documento traz sete eixos de propostas que vão de financiamento climático com perspectiva de gênero à construção da participação plena de mulheres nas decisões climáticas, passando por educação para resiliência climática e por inovação na economia verde baseada nas experiências de mulheres dos territórios mais afetados e em direitos humanos.
"A mulherada está panfletando a Carta das Mulheres para a COP30 na zona azul e na zona verde,", conta Fabiana Peroni, diretora de parcerias do Grupo. "Temos entregado a ministros e outras autoridades que encontramos. Queremos que ela chegue ao Legislativo, ao Executivo e ao Judiciário", completa ela, que afirma ter se entusiasmado com a presença de mulheres na COP30.
A previsão do grupo é que Trajano entregue uma cópia do documento ao ministro Edson Fachin, atual presidente do Supremo Tribunal Federal, que também está em Belém.
"Aqui na COP30 tem o movimento de entrega, que é simbólico. A gente quer é construir uma agenda política para que as propostas feitas ali, de ações e de melhorias, saiam do papel após a COP", explica Peroni. "As mulheres precisam estar nestes espaços de decisão para que essas pautas se concretizem. No pós-COP, vamos trabalhar a incidência política tanto nos municípios como nos estados e na União."
O documento teve a participação de grupo como Quero Você Eleita, Instituto AzMina, Elas Pedem Vista,
Elas No Poder, Rede Governança Brasil, Grupo Ser Educacional, Instituto Global ESG e Instituto Latino-Americano de Governança e Compliance Público.
"Colocar as mulheres no centro da decisão e da ação climática, fazendo uma conexão entre justiça climática e equidade de gênero", define Alexandra Segantin, CEO do Grupo. "Um dos nossos posicionamentos estratégicos é ter mais mulheres exercendo sua potência nos espaços de decisão, tanto em empresas públicas como nas privadas."
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