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Gravidez após os 50 anos, como de Claudia Raia, pode ter riscos. Entenda

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Na noite desta segunda-feira (19), Claudia Raia, 55, fez um anúncio em seu perfil no Instagram dizendo que sua família vai aumentar. A atriz aparece dançando sapateado em um vídeo ao lado de seu companheiro Jarbas Homem de Mello, 53, e depois aponta para sua barriga, indicando a gravidez.

"Não é novidade nosso sonho de sermos pais! E não é que ele se realizou? Eu e Jarbas Homem de Mello estamos grávidos", escreveu na publicação. O que chamou a atenção, no entanto, foi a idade da artista, que já é mãe de Enzo Celulari, 25, e Sophia Raia, 19.

Na terceira semana de gravidez, Claudia dá a entender que o processo ocorreu naturalmente, isto é, sem intervenções médicas como a feritilização in vitro.

Quando a gestação ainda estava sob suspeita, sua médica pediu um exame de sangue. A atriz duvidou que isso seria possível, até que um teste de farmácia deu positivo.

Quais as chances de se engravidar naturalmente?

Não é comum que mulheres acima dos 40 anos fiquem grávidas com facilidade. Os dados mais recentes disponíveis no registro de Nascidos Vivos do Datasus indicam que gestações a partir dos 50 anos tem incidência ainda menor.

Em 2020, por exemplo, nasceram apenas 34 bebês de mulheres entre 55 e 59 anos no Brasil. Enquanto isso, mães de 20 aos 29 anos, gestaram 1.327.794 crianças no país.

O presidente da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), Agnaldo Lopes, também observa raridade no caso de Claudia Raia.

"A gente não sabe os detalhes de como foi essa gravidez, mas é fato que à medida que a idade da mulher vai avançando, a taxa de fecundidade vai ficando bem menor. Depois dos 42 anos, ela cai para menos de 5%", afirma.

Isso acontece porque, com o tempo, a qualidade do esperma e dos óvulos diminui, dificultando uma fecundação natural. Então é fundamental considerar o caso da atriz como algo realmente pontual.

"Chama a atenção na mídia engravidar aos 55, mas também pode levar muitas mulheres a adiar a primeira gravidez por mais tempo e, quando pensarem ser a hora certa, terem chegado à infertilidade", alerta o ginecologista e obstetra.

O período mais próximo do ideal para uma gestação seria quando a mulher tem entre 18 e 35 anos. "Existem muitas variáveis, mas é importante evitar gravidez em extremos, como na adolescência, quando o corpo da mulher não está totalmente formado, e idades que o risco de essa gestante ter doenças associadas é maior", pontua Lopes.

Mulheres que desejam ser mães tardias frequentemente contam com o auxilio de um especialista em reprodução humana para a realização de procedimentos como a inseminação intrauterina, a fertilização in vitro, o congelamento de óvulos e até a substituição do óvulo por outro de uma doadora mais jovem.

A médica ginecologista Daniela Diniz, que trabalha na clínica especializada no diagnóstico e tratamento de infertilidade Reproduce, considera que a gravidez de Raia está relacionada à sua condição física.

"Quando falamos de uma mulher que sempre teve alimentação adequada, praticou atividade física, o conceito de saúde dela é ótimo", pondera. "Ela é a prova de que os cuidados com a saúde ao longo da vida mantém o corpo em pleno funcionamento, capaz de gerar uma outra vida. É um feito memorável."

Quais os riscos de uma gravidez tardia?

Segundo dados do Datasus, entre 2000 e 2020 houve aumento no número de gestações de mulheres a partir dos 35 anos quando comparadas às que têm menos de 24 anos, que manifesta queda quase constante. O número de mães após os 40 anos cresceu mais de 60%.

Apesar da opção pela maternidade tardia ser uma tendência, uma vez que preconiza a estabilidade econômica e profissional, a escolha carrega sua parcela de riscos, sendo o principal deles a incidência de doenças crônicas, como a hipertensão e diabetes.

Além disso, o feto pode desenvolver uma série de enfermidades genéticas. "Uma vez que a mulher tem todos os óvulos prontos, os melhores vão ovulando, e os que vão ficando são de pior qualidade, com mais possibilidade de alteração genética", detalha Diniz.

O Ministério da Saúde estabelece que uma gravidez já pode ser considerada como de risco quando a mãe tem mais de 35 anos. Contudo, o desenvolvimento de problemas depende das condições da gestante. Se ela for saudável e não tiver enfermidades pré-existentes, as chances de sucesso são maiores.

"Não sendo obesa ou tendo alguma doença associada, o que cabe é seguir com cuidados ainda mais próximos no pré-natal para evitar alguma complicação", recomenda Agnaldo Lopes.

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