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Grafite em ponte no rio Pinheiros alerta para escassez de água em SP

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Para alertar a população sobre a escassez da água e incentivar a preservação desse recurso, o projeto Graffiti pela Água, de iniciativa do administrador Rodrigo Cordeiro e do artista Gamão, grafitou a ponte Sabesp, próxima à ponte Cidade Universitária, no rio Pinheiros, na zona oeste da capital paulista. A intervenção contou com 16 artistas e demorou 15 dias.

A pintura cobriu as duas laterais, a adutora e a parte debaixo da ponte, cedida pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), tornando-a uma das maiores coberturas grafitadas na cidade. O projeto inclui ainda grafites em três chaminés de equilíbrio da Sabesp --estruturas metálicas nas margens dos rios-- e pinturas em 30 telas que percorrerão a cidade com uma exposição itinerante, sempre com a temática da água.

"Eu e o Rodrigo Cordeiro juntamos nossas forças de verdade e montamos o projeto Graffiti pela Água, em que queremos conscientizar as pessoas para cuidar do nosso meio ambiente e da cidade. Acho importante ajudar a cidade e não somente jogar a bola para o governo cuidar dos espaços públicos", diz Gamão, grafiteiro e presidente do coletivo Raxa Kuka Produções, que tem o intuito de promover a cultura hip hop nas comunidades de São Paulo.

"A proposta do projeto é mostrar para as pessoas que se a gente se unir, podemos ter uma sociedade mais limpa, bonita, colorida e consciente", completa o artista.

Para a execução do projeto, os grafiteiros atuam sobre duas plataformas motorizadas elevatórias que alcançam quase a totalidade da ponte, semelhantes às escadas dos caminhões de bombeiros. Durante a pintura da adutora, os grafiteiros permaneceram fixados por um cabo de aço que se estendeu por todo o perímetro de deslocamento.

"Ainda falta pintar os respiradores. Tem sido gratificante porque é um desafio. A proposta do projeto é muito boa, não tem como dar errado. É uma experiência única, particularmente falando. Foram 15 dias pintando a ponte para deixar uma mensagem para a nossa cidade", destaca Gamão.

"Queremos despertar o sentimento de pertencimento com a água e com o Rio que é parte da nossa cidade e da nossa vida", afirma Rodrigo Cordeiro, um dos idealizadores do projeto.

A quantidade de água disponível nos sete reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo hoje é menor que a registrada em junho de 2013, pouco antes da pior crise hídrica da história do estado, de 2014 a 2015.

Dados desta sexta-feira (25) indicam que o volume operacional do sistema Cantareira, por exemplo, está em 45,5% atualmente, bem abaixo dos 56,6% registrados na mesma data em 2013, assim como o Alto Tietê, que apresenta 55,1% e apresentava há oito anos 61,5%. O volume total armazenado está em 53%, abaixo dos 63,3% apontados em 2013.

Apesar de o volume garantir o abastecimento nos próximos meses, especialistas indicam preocupação, principalmente pela condição climática.

"Se a gente considerar o disponível hoje, dá para levar até o final do ano com tranquilidade, o problema é que não vamos ter uma reposição no montante que seria necessário. Temos uma quantidade de água disponível nos reservatórios que é menor do que a que a gente tinha em 2013, no ano pré-crise", comenta Pedro Luis Cortes, professor do programa de pós-graduação em Ciência Ambiental do IEE (Instituto de Energia e Ambiente) da USP.

"As perspectivas climáticas são similares no sentido de falta de chuva no segundo semestre deste ano. Se a gente tivesse uma perspectiva que a primavera e o verão seriam chuvosos, dentro da normalidade ou acima dela, a gente ficaria tranquilo, o problema é que as perspectivas vão no sentido contrário. Isso coloca a nossa situação atual em uma perspectiva de alerta", completa Cortes.

Além disso, o especialista defende que a Sabesp deve implantar programas de incentivo tais como bônus para quem economizar água.

"Por uma questão de prevenção, a gente deveria ter campanhas para economizar água, algo já feito pela Sabesp, e políticas mais intensas, como a volta da política de bônus, que usou durante a crise hídrica. Ela vai premiar a economia de água, o que é ótimo. Você não está cortando água das pessoas, mas dando uma opção de pagar menos, que é excelente para este momento. Eu não gosto de ser o portador de más notícias, mas se a gente não tomar providências agora, realmente a gente pode entrar em um cenário em que o racionamento seja mais possível de acontecer", destaca Cortes.

Em nota, a Sabesp afirma que não há risco de desabastecimento neste momento na região metropolitana de São Paulo, mas reforça a necessidade do uso consciente da água.

"No dia 25 de junho, o Sistema Integrado opera com 53% da capacidade, nível similar, por exemplo, aos 53,3% de 2018, quando não houve problemas no abastecimento. Importante destacar que a queda no nível das represas é normal nesta época do ano devido ao período de estiagem e ao volume baixo de chuvas. A projeção da Sabesp aponta níveis satisfatórios para passar pela estiagem (até setembro), mas a Companhia reforça a necessidade de uso consciente da água por todos, em qualquer época do ano", diz a companhia.

Além disso, a Sabesp diz que a região é abastecida por um sistema integrado composto pelo Cantareira e outros seis mananciais (Alto Tietê, Guarapiranga, Cotia, Rio Grande, Rio Claro e São Lourenço), que permite transferências de água rotineiras entre regiões, dando mais segurança ao abastecimento. A companhia ainda fala sobre a campanha de conscientização do uso da água, em qualquer época do ano, no site http://site.sabesp.com.br/site/sociedade-meioambiente/dicas.aspx?secaoId=450.

Sobre o projeto, a companhia destaca o Programa Novo Rio Pinheiros, que visa reintegrar o rio Pinheiros à rotina da cidade até 2022, tornando o seu entorno uma área de turismo e lazer, com suas águas sem odor. A Sabesp participa do projeto no eixo saneamento, ampliando a rede de coleta de esgoto. A expectativa é conectar 533 mil imóveis ao sistema de tratamento de esgoto em bairros nos municípios de São Paulo, Embu das Artes e Taboão da Serra. Até maio de 2021, segundo o governo do estado, já foi possível coletar e enviar para tratamento o esgoto de 302 mil imóveis localizados na bacia do Pinheiros, beneficiando aproximadamente 1 milhão de pessoas.

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