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Gestão Nunes diz executar maioria de ações contra mudanças climáticas, mas métricas são pouco claras

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A gestão Ricardo Nunes (MDB) divulgou nesta quarta-feira (30) um relatório em que diz ter colocado em prática 86% das ações previstas no PlanClimaSP, o plano municipal que propõe estratégias para mitigar o aquecimento global e adaptar a cidade às suas consequências.

Os indicadores disponíveis no documento, porém, não permitem medir até o momento o efeito prático em metas centrais do plano, como zerar a emissão de gases que provocam o efeito estufa.

A Secretaria de Mudanças Climáticas diz ter bases concretas para avaliar seu avanço no tema, mas admite que há parâmetros que ainda dependem de métricas precisas e que essa é uma questão que será resolvida com a revisão do plano a ser concluída até o final deste ano.

Para enfrentar a questão climática, a prefeitura da capital paulista publicou em 2021 –durante a gestão de Bruno Covas (1980-2021), continuada por Nunes– um planejamento com 43 ações distribuídas em cinco áreas: zerar emissões de carbono até 2050; adaptar a cidade às mudanças; proteger pessoas e bens; preservar a mata atlântica e gerar riqueza a partir de trabalhos sustentáveis.

Dentro do primeiro e possivelmente principal tópico, que concentra 18 ações para zerar as emissões dióxido de carbono (CO₂), há exemplos claros da dificuldade de mensuração dos resultados. É o caso da iniciativa que prevê fomentar o uso da bicicleta como meio usual de transporte.

Uma das metas da estratégia propõe que, até 2030, 4% de todas as viagens realizadas na cidade sejam feitas de bicicleta. Esse percentual deve aumentar para 8% em 2050.

Não está disponível no documento, porém, o indicador para medir a utilização do modal.

Há um dado positivo quanto ao aumento das ciclovias, cuja implantação passou de pouco mais de 50 km para aproximadamente 110 km entre 2021 e 2024, mas ainda assim não é possível saber se a quantidade de viagens pretendida está perto ou não de ser alcançada.

Outra meta relacionada às emissões é fazer com que 70% das viagens no município ocorram por meio de transporte coletivo até 2030, chegando a 78% em 2050. O único dado disponível para avaliação aponta para 67% das viagens realizadas em meios coletivos em 2023.

Apesar de o documento mostrar proximidade com a meta, não há informações sobre os demais anos, o que impede a quantificação da evolução.

Ainda assim, há metas e resultados claramente mensuráveis e, nesses casos, vislumbra-se um cenário desafiador.

Uma das mais importantes diz que a prefeitura quer atingir até 2028 a proporção de 50% da frota de ônibus com tecnologia que não emite dióxido de carbono.

Nesse quesito, a prefeitura aponta que o número de veículos substituídos no transporte público com tecnologia zero emissões subiu de 1,6%, em 2021, para 3,8%, em 2024. A emissão de CO₂ oscilou negativamente em 0,4% no período, ficando perto de 1 milhão de toneladas por ano.

Resultados que mostram o município distante de zerar as emissões do transporte, como estabelece a estratégia da administração.

Secretário-executivo do Iclei para a América do Sul, conselho internacional voltado a iniciativas ambientais que colaborou para a construção do plano paulistano, Rodrigo Perpetuo avalia que o ritmo de emissões deveria cair na proporção de 4% ao ano para que a cidade consiga zerar suas emissões até 2050.

Perpetuo afirma que a ausência de métricas claras para avaliação dos resultados de planos climáticos municipais não é uma exclusividade da capital paulista.

"São Paulo foi uma das primeiras cidades a assumir esse compromisso, mas quando esse tema passou a ser debatido [o plano paulistano começou a ser elaborado em 2008], ainda havia muita dificuldade para que gestores de cada órgão definissem e se comprometessem com ações de médio e longo prazo", diz o secretário do Iclei. "Acho que, apesar dessa falta de mais indicadores concretos, é importante ter um prefeito comprometido com essa agenda."

Em resposta aos questionamentos da reportagem, a Secretaria de Mudanças Climáticas da gestão Nunes afirma que o dado de que 86% do plano está em andamento representa o percentual das 43 ações previstas que possuem metas e indicadores com dados disponíveis para monitoramento e que, portanto, há informações concretas que demonstram que essas ações estão ativas e sendo acompanhadas.

Sobre a dificuldade de mensuração das métricas, a secretaria informou que seu levantamento utiliza dados mensuráveis dos órgãos responsáveis por cada ação.

Em relação às emissões de gases, a prefeitura afirma que o indicador que oscilou negativamente em 0,4% é referente apenas ao transporte e que a meta mais ampla, para chegar a queda de 20% de emissões até 2030, considera um conjunto mais amplo de fontes e que a análise do indicador do transporte não permite avaliar o progresso global em relação à meta.

Sobre o indicador global de redução de emissões, a gestão disse que o dado ainda não está disponível.

Por fim, a secretaria afirmou que a revisão em andamento no plano tem justamente o objetivo de aprimorar as metas que ainda não possuem métricas bem definidas ou dados quantificáveis e que esse processo busca aumentar a precisão e a transparência do monitoramento, facilitando a avaliação dos resultados nos próximos ciclos.

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