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Filho de prefeito cassado sob suspeita de relação com facção vence eleição no Ceará

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A eleição suplementar em Santa Quitéria, no interior do Ceará, terminou neste domingo (26) com a vitória do candidato Joel Madeira Barroso (PSB), que é filho do prefeito cassado pela Justiça Eleitoral em julho deste ano, José Braga Barroso, o Braguinha (PSB).

A chapa de Braguinha foi cassada por abusos de poder econômico e político durante a campanha eleitoral, em conluio com a facção criminosa Comando Vermelho. Ele nega. A cidade do norte cearense tem 32.868 eleitores aptos a participar da votação.

Nas eleições de 2024, Barroso foi eleito vereador e, depois, se tornou presidente da Câmara de Vereadores. Após a cassação do pai, Barroso ainda assumiu a prefeitura de forma interina.

Neste domingo, com a totalidade das urnas apuradas pouco antes das 20h, Barroso aparece eleito com 53,21% dos votos (13.161 votos). Filiado ao PSB, ele tem o apoio do PP e do Podemos.

Barroso disputou contra duas mulheres. A Dra Lígia Protásio (PT), que ficou com 25,14% dos votos, e Candida Figueiredo (União Brasil), com 21,65%.

A eleição deste domingo foi realizada dentro da normalidade, de acordo com o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Ceará, com o apoio de cerca de 500 agentes de segurança pública, incluindo 222 do Exército.

"O pleito foi regular, não tivemos nenhum imprevisto ou ocorrência grave, bem tranquilo", disse a juíza Rosa Cristina, durante entrevista à imprensa após o resultado. A diplomação dos eleitos está prevista para o próximo dia 10 de novembro.

No TSE (Tribunal Superior Eleitoral), em setembro, Braguinha ainda tentou suspender os efeitos da decisão que o cassou, mas o pedido foi negado.

A chapa encabeçada por Braguinha foi cassada por abusos de poder econômico e político, apontados pelo Ministério Público Eleitoral em uma ação de investigação judicial eleitoral. Nela, o Ministério Público afirma que, em 2020 e em 2024, o "Comando Vermelho interveio nas eleições municipais, mediante relação com o Prefeito José Braga, o qual era aliado de pessoas envolvidas com a organização criminosa e, inclusive, mantinha algumas dessas pessoas nos quadros da Administração Pública".

Em 2024, Braguinha disputava a reeleição. Ele chegou a ser preso pouco antes da posse, em 1º de janeiro de 2025. Antes, ele já tinha dois mandatos consecutivos como vice-prefeito.

Ainda segundo o Ministério Público, houve "grave violação dos princípios democráticos", afetando a "normalidade e legitimidade das eleições".

A Justiça Eleitoral entendeu que há provas de utilização de facção criminosa para intimidar, ameaçar e expulsar apoiadores e pretensos eleitores das chapas adversárias, esvaziando seus atos de campanha.

Em 2024, Braguinha disputou contra Dra Lígia Protásio (PT), Evelardo Bié (Novo) e Tomás Figueiredo (MDB).

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