Início Variedades Farmacêutica pausa envios de remédio para distrofia muscular de Duchenne para fora dos EUA
Variedades

Farmacêutica pausa envios de remédio para distrofia muscular de Duchenne para fora dos EUA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A farmacêutica Roche pausou na terça-feira (22) o envio de Elevidys, remédio voltado a crianças com distrofia muscular de Duchenne para países que têm a FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora dos Estados Unidos, como referência para aprovação local. A medida não atinge o Brasil.

A pausa aconteceu após a FDA solicitar que a Sarepta, empresa que tem os direitos comerciais do remédio nos Estados Unidos, interrompesse voluntariamente a comercialização do medicamento. O pedido ocorreu após a morte do terceiro paciente que havia recebido a terapia genética, segundo a empresa divulgou na sexta-feira (18). Ele morreu de insuficiência hepática aguda. Outros dois adolescentes já haviam morrido.

Em nota, a Roche afirma que continuará a enviar o tratamento para pacientes ambulatoriais em outros países onde está aprovado, em consulta com as autoridades regulatórias locais, inclusive o Brasil. A farmacêutica afirma que está em consulta com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). O Elevidys também está aprovado em países como Japão, Emirados Árabes Unidos, Catar e Kuwait.

Na nota, a Roche diz acreditar que o perfil de benefício-risco é positivo na população de pacientes deambuladores (pessoas que têm dificuldade para andar). "Até o momento, aproximadamente 760 pacientes deambuladores com DMD foram tratados com Elevidys em ambientes clínicos e de mundo real, e não houve fatalidades relacionadas ao tratamento nesta população", diz em comunicado.

A Roche disse que está trabalhando para entender por que a FDA fez o pedido e que está em contato com autoridades de saúde globalmente para determinar os próximos passos potenciais.

Tratamento voltado a crianças com distrofia muscular de Duchenne e que custa R$ 14,6 milhões, o Elevidys (delandistrogeno moxeparvoveque) recebeu parecer inicial negativo da Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) no processo que avalia a oferta da droga na rede pública.

O comitê de medicamentos do órgão considerou que "há incertezas quanto à eficácia dessa terapia, além de ela apresentar um perfil de segurança que indica risco potencial de eventos adversos graves, como miosite (inflamação dos músculos) e lesão no fígado".

No entanto, o governo federal cumpre ordem do STF (Supremo Tribunal Federal) de administrar o Elevidys a pacientes que atendam aos critérios para recebê-lo.

Procurados na terça-feira (22), o Ministério da Saúde e a Anvisa não retornaram até a publicação da reportagem. O STF, procurado nesta quarta-feira (23), também não retornou.

A distrofia muscular de Duchenne é uma doença genética rara, que acomete principalmente crianças do sexo masculino.

Essa alteração genética é caracterizada pela falta ou alteração de uma proteína no músculo, a distrofina, que causa o principal sintoma da doença: fraqueza muscular. A condição pode levar à perda progressiva de habilidades motoras, como correr, pular e subir escadas.

Até a ordem do STF, o uso de corticoides para retardar a progressão da fraqueza muscular era o único tratamento disponível no país.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?