BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - No âmbito do caso judicial sobre a distribuição de fentanil contaminado na Argentina, um juiz federal de La Plata mandou realizar dez buscas e prisões de diretores, técnicos e acionistas dos laboratórios HLB Pharma e Ramallo.
Na noite de quarta-feira (20), Ariel García Furfaro, fundador do grupo Furfaro e proprietário do HLB Pharma, se entregou à polícia, enquanto seus irmãos Diego e Damián, que dirigem as empresas, já estavam presos. Também foi presa a mãe deles, Nilda Furfaro, vice-presidente do HLB.
As prisões foram feitas pela Polícia de Segurança Aeroportuária e pela Força de Segurança Nacional. A investigação começou em abril, revelando um escândalo de fentanil contaminado, que já causou cerca de 87 mortes confirmadas outras nove estão sob investigação.
A investigação busca descobrir se as mortes foram causadas por bactérias encontradas no fentanil, como Klebsiella pneumoniae e Ralstonia pickettii. Essas bactérias teriam causado um surto infeccioso letal.
Opioide sintético forte, ele é usado no tratamento de dores intensas. A investigação começou após uma denúncia em maio pela Anmat, a agência de regulação e medicamentos da Argentina, com base em reclamações de um hospital que encontrou bactérias no fentanil.
"Aqui se faz, aqui se paga. Os responsáveis pelo lote letal de fentanil estão atrás das grades. A impunidade acabou: agora eles devem responder à Justiça, às famílias e à sociedade como um todo", postou no X a ministra de Segurança Pública, Patricia Bullrich.
A ministra divulgou imagens do momento da prisão dos executivos, com destaque para a de Ariel.
As mortes ocorreram em hospitais de diferentes províncias do país, incluindo Buenos Aires, Santa Fé, Formosa e Córdoba.
Atualmente, pelo menos 24 pessoas estão sendo investigada. Ao longo da investigação, Ariel Furfaro havia afirmado que o histórico clínico das vítimas mostrava que as bactérias já estavam no organismo antes do consumo do opioide.
Foram identificados cinco lotes contaminados de fentanil, distribuídos em hospitais e centros de saúde. O Hospital Italiano de La Plata é um dos locais onde a investigação começou.
O centro hospitalar, que fica na capital da província de Buenos Aires, tem sido palco de protestos de familiares exigindo justiça pelas vítimas. Especialistas alertam que o número de mortes pode aumentar com a revisão de mais prontuários médicos.
Enquanto isso, o Congresso argentino pediu informações ao governo sobre o caso, mas ainda não há um prazo definido para a resposta.


