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Ex-presidente do IBGE vê 'ruído excessivo' em debate sobre mapa com Brasil no centro do mundo

Por Folha de São Paulo

13/04/2024 23h00 — em
Variedades



RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O ex-presidente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) Roberto Olinto avalia que há um "ruído excessivo" nos debates envolvendo a divulgação do novo mapa-múndi do órgão.

A projeção cartográfica, lançada nesta semana com a 9ª edição do Atlas Geográfico Escolar, traz o Brasil no centro do mundo --e não mais à esquerda de quem vê os mapas, como costuma ocorrer. A ideia despertou polêmica nas redes sociais.

Para Olinto, o trabalho segue parâmetros técnicos. Nesse sentido, ele diz que outros países já produziram projeções semelhantes, com seus territórios no centro da visualização.

O ex-presidente também lembra que, em 2007, o próprio IBGE anunciou que o 4º Atlas Geográfico Escolar colocava o Brasil no centro de mapas temáticos.

"Vários países fazem isso. O Japão faz isso, a China faz, tem um mapa-múndi que bota as Américas no centro. Não tem nada de mais, o IBGE já fez isso no passado", afirma Olinto, que comandou o instituto de 2017 a 2019.

O ex-presidente, por outro lado, vê um problema no que chama de "relevância excessiva" dada pelo instituto à divulgação do trabalho.

"Claro que existe uma questão política na discussão de como você faz o mapa, se é eurocentrado ou centrado num país. Isso não deveria ser assunto do órgão de Estado chamado IBGE. O IBGE segue padrões, e esse é possível. A discussão a partir daí é que não deve ser feita", diz Olinto, que hoje é pesquisador associado do FGV Ibre.

"É um ruído excessivo, mas acho que tem problema dos dois lados. Tem de tomar muito cuidado na divulgação para não gerar isso", acrescenta.

O novo mapa foi apresentado em um evento no Rio de Janeiro na terça-feira (9). O atual presidente do IBGE, Marcio Pochmann, compartilhou informações sobre o lançamento em seu perfil no X (ex-Twitter).

Na rede social, ele também postou fotos da apresentação do mapa para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Pochmann escreveu que "o novo IBGE mostra o Brasil no centro do mundo" e que os mapas "representam a própria face de uma nação".

Ele defende que, além de realizar entrevistas coletivas, o instituto dissemine seus documentos de "forma transversal", o que inclui expandir as formas de comunicação.

"Como um símbolo da imagem de um país, cabe ao IBGE apresentar às autoridades que representam o Brasil esse novo mapa, essa nova publicação. Inclusive, pois é um dever do IBGE destacar a importância desta publicação na formação do povo brasileiro. E como o Brasil é visto no mundo", afirmou Pochmann no X.

O novo mapa-múndi do IBGE ainda mostra uma marcação dos países que compõem o G20. Nas redes sociais, o trabalho recebeu críticas e elogios.

Chamado de "lacração geográfica" por alguns e "ícone decolonial" por outros, o mapa polarizou internautas que passaram a discutir temas como cartografia, geopolítica e patriotismo. Há também aqueles que tentam fugir da polêmica.

O perfil do presidente Lula se manifestou sobre o tema. O petista compartilhou uma publicação com a imagem do mapa e escreveu que a Terra é redonda.

Outro ponto do atlas do IBGE que ganhou repercussão nas redes sociais foi a identificação das ilhas Malvinas como território argentino. O local é alvo de disputa entre Argentina e Reino Unido.

Olinto diz não ver grande novidade nessa questão, já que o IBGE segue recomendações da área de cartografia e de órgãos como o Ministério das Relações Exteriores.

Em janeiro, o Itamaraty publicou um comunicado em que manifestou apoio aos "legítimos direitos da Argentina na disputa de soberania com o Reino Unido".

Em 2018, por exemplo, a 8ª edição do Atlas Geográfico Escolar já trazia mapa com a associação das Malvinas à Argentina.


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