PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - O ex-prefeito de Lajeado (RS), Marcelo Caumo (União Brasil), pediu demissão do cargo de secretário estadual de Desenvolvimento Urbano e Mobilidade nesta quinta-feira (13).
Na segunda-feira (11), Caumo foi alvo de uma operação da Polícia Federal que apura suposto desvio de recursos públicos federais em contratos irregulares firmados pela Prefeitura de Lajeado com uma empresa prestadora de serviços, após as enchentes históricas de maio de 2024 mo estado.
Caumo, que governou a cidade de 2017 a 2024, negou ter cometido irregularidades e, em comunicado divulgado na segunda, disse estar à disposição das autoridades para esclarecimentos.
O governador Eduardo Leite (PSD), que está em Belém para a COP30, aceitou o pedido de exoneração de Caumo e deve nomear um novo titular até a próxima semana.
A investigação apura supostos crimes contra a administração pública e lavagem de dinheiro oriunda do desvio de verbas do FNAS (Fundo Nacional de Assistência Social).
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que a empresa Arki Serviços foi contratada por valores superiores aos de mercado para a prestação de serviços terceirizados de psicólogo, assistente social, educador social, auxiliar administrativo e motorista.
Os contratos foram firmados com dispensa de licitação, sob o argumento de que o Rio Grande do Sul estava em estado de calamidade pública. A PF afirma que o valor dos dois contratos celebrados nesse período alcança aproximadamente R$ 120 milhões.
Lajeado foi uma das cidades mais atingidas pela enchente do rio Taquari, que subiu ao maior nível de sua história e chegou a alcançar o quarto andar de prédios na zona ribeirinha da cidade.
A operação da PF e da CGU cumpriu 35 mandados de busca e apreensão, determinados pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em nove cidades gaúchas.
Também foram apreendidos dez veículos e bloqueados quase R$ 4,5 milhões em ativos dos investigados.
O delegado Marcondes Silva, responsável pelo caso, disse na segunda que a Polícia também apreendeu R$ 411 mil em espécie em um escritório de advocacia do qual Caumo é um dos sócios. O ex-prefeito afirmou que o dinheiro apreendido não tem relação com a investigação nem com sua função pública.

