Evento do agronegócio paralelo à COP30 vira espaço para crítica a conferência, Marina e ONGs
BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - O lançamento do livro do ex-ministro e ex-comunista Aldo Rebelo (MDB) em um espaço do agronegócio, instalado durante o período da COP30, virou um momento propício a críticas à própria conferência da ONU, à ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), a ONGs com atuação na área ambiental e a iniciativas como o embargo de áreas com desmatamento ilegal.
Aldo publicou o livro "Amazônia: A Maldição de Tordesilhas - 500 Anos de Cobiça Internacional", com críticas à política ambiental em curso no país, exaltada na própria COP30. O ex-ministro de governos de Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT) se aproximou do bolsonarismo e, a uma plateia de cerca de 50 pessoas na chamada Agrizone, fez uma fala que agrada em cheio ao agronegócio.
A Agrizone ocupa um espaço na Embrapa Amazônia Oriental, a 3,5 km do pavilhão central onde é realizada a COP30, e é liderada pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
"Hoje estão falando em proibir a pecuária na Amazônia. A pecuária existe desde o século 18 na região", disse o ex-ministro no evento nesta quinta-feira (13). Ele criticou o embargo de áreas de propriedades rurais, medida que é adotada para o cumprimento da legislação ambiental diante de desmatamento de áreas que deveriam estar preservadas.
"O agro é satanizado, toda agenda ruim é ligada ao agro, como trabalho escravo", afirmou. Boa parte dos flagrantes de trabalho escravo no país, com resgate de trabalhadores, se dá em propriedades rurais.
De forma mais reservada, o ex-ministro criticou a COP30 e Marina a aliados do agronegócio. Recebeu o endosso de pessoas que compareceram ao evento, como o deputado Alceu Moreira (MDB-RS), que integra a frente dos ruralistas no Congresso.
Ex-ministro da Agricultura e enviado da COP30 para agricultura, Roberto Rodrigues compareceu ao lançamento do livro. "Marina é idealista, muito fortemente ligada à questão ambiental, honesta do ponto de vista intelectual. É preciso acoplar a visão de economia e desenvolvimento a essa visão, com foco nas pessoas", disse à reportagem.
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