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Diva Guimarães, que comoveu Flip com depoimento sobre racismo em 2017, morre aos 84 anos

BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - Morreu no sábado (11) em Curitiba a professora aposentada Diva Guimarães, aos 84 anos. Ela ficou conhecida nacionalmente em 2017, após fazer uma intervenção durante a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) com um depoimento contundente sobre o racismo, ao longo de 13 minutos, e foi ovacionada.

A morte, que não teve a causa divulgada, foi confirmada pelo perfil da professora nas redes sociais e pela conta do ator Lázaro Ramos, que participava da mesa à qual a professora assistia na ocasião em que pediu o microfone em 2017. O velório é realizado neste domingo (12), na funerária Luto Curitiba.

Naquele momento nasceu uma relação entre Diva e o ator, e ela inclusive participou do filme "Medida Provisória" (2020), dirigido por Lázaro Ramos.

Guimarães, que começou a trabalhar aos cinco anos, era neta de escravos e filha da lavadeira. Em seu discurso na Flip -e cujo vídeo teve milhões de visualizações-, ela afirmou ter sido uma sobrevivente graças à luta e à educação.

"Quando eu era criança, as freiras me contaram uma história de como Deus abençoou um rio e mandou todos os homens tomarem banho nele. Os mais trabalhadores e inteligentes chegaram primeiro, mergulharam no rio e saíram brancos", relatou Diva durante sua intervenção em 2017.

"Já os mais preguiçosos chegaram tarde e só havia um restinho de água. Por isso continuaram negros, só com a palma das maõs e a planta dos pés brancos", disse, entre lágrimas. "Os negros não são preguiçosos, este país vive hoje porque meus antepassados trabalharam muito", continuou a professora, que foi aplaudida de pé.

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