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Diretora da COP30 conta ter temido não conseguir consenso entre os países

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, publicou um vídeo em uma rede social neste domingo (23) no qual disse que a organização da conferência temia não alcançar um acordo entre os países.

"O mais importante é que a gente superou um medo que a gente tinha muito grande, que era não conseguir consenso, e a gente conseguiu, isso me deixa muito feliz", afirmou.

As decisões nas COPs dependem da aprovação por todos os países presentes, e uma única nação pode travar acordos. Toni destacou a aprovação de 29 documentos na cúpula em Belém.

"Uma das dúvidas que a gente tinha nessa geopolítica toda é se a gente ia conseguir consenso para algum documento. E a gente acabou conseguindo consenso em muitos documentos, adaptação, transição justa, gênero, o tal do documento do mutirão", afirmou. O último texto diz respeito a um pacote de decisões políticas da conferência, com os temas mais sensíveis.

Como a Folha mostrou, a oposição a um mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis, idealizado pela ministra Marina Silva (Meio Ambiente), ameaçava implodir as negociações. Países produtores e consumidores de petróleo rejeitavam qualquer menção às fontes poluentes e consideravam bloquear todos os assuntos em discussão.

No final, o documento não citou os combustíveis fósseis, e o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, se comprometeu a produzir o roteiro por conta própria, sem qualquer acordo vinculante.

"Fica o legado do multilateralismo climático fortalecido, fica esse momento marcado pela agenda de adaptação entrando no topo, fica o legado de ser uma COP da implementação. Ficou o legado dessa diversidade aqui na amazônia, com a população indígena, as comunidades tradicionais, uma COP com um tempero um pouco diferenciado. Muita bagunça, nosso jeito meio bagunçado de fazer as coisas, mas fico feliz que tenha acabado bem", disse Toni, na postagem deste domingo.

A conferência em Belém foi marcada por um incêndio no pavilhão principal, que paralisou as negociações durante a tarde da quinta-feira (20).

Na primeira semana do evento, a ONU enviou uma carta à organização pontuando problemas na infraestrutura e na segurança. O secretário-executivo da convenção das Nações Unidas para o clima, Simon Stiell, assinou o documento demandando que a proteção fosse reforçada e que os problemas (como alagamentos e altas temperatura no ambiente) fossem resolvidos.

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