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Demora de atuação da Enel chega ao dobro das demais concessionárias de São Paulo

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O histórico das respostas e atendimentos da Enel a situações de queda de energia em São Paulo revela que a empresa tem um dos piores índices de resposta do país, segundo dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

No início deste ano, a agência avaliou o tempo médio de atendimento da concessionária, entre janeiro de 2022 e outubro de 2023. As informações fazem parte de um relatório de fiscalização que definiu uma multa de R$ 165 milhões para a concessionária.

O chamado TMP (Tempo Médio de Preparação) é um critério usado para medir quanto tempo uma ocorrência ficou aguardando, depois de ser informada à empresa, até que houvesse o início de deslocamento de uma equipe para atendimento.

Esse conceito mede a eficiência dos meios de comunicação da empresa, o dimensionamento das equipes e dos fluxos de informação de seus centros de operação.

O resultado mostra que o TMP, assim como o TMAE (Tempo Médio de Atendimento a Emergências), da Enel teve aumento constante. Segundo os dados coletados pela agência, o tempo médio de preparação da Enel, que era de 6 horas em 2021, subiu para 9 horas em 2022 e chegou 10 horas em 2023, enquanto a média do mesmo critério entre as demais concessionárias de São Paulo foi de 4 horas em 2021, 4 horas em 2022 e 5 horas em 2023.

"O TMP da Enel SP foi aproximadamente 95% superior à média das demais concessionárias do estado de São Paulo no ano de 2022 e até outubro de 2023", afirma a Aneel, destacando o fato de que, diferentemente do que ocorre no interior do estado, "a Enel SP possui uma concessão concentrada quase totalmente em área urbana".

No caso do atendimento a emergências, o relatório mostra que a Enel registrou, em média, 8 horas de demora em 2021, 11 horas em 2022 e 13 horas em 2023, enquanto a média das demais concessionárias paulistas para o mesmo conceito foi de 5 horas em 2021, 6 horas em 2022 e 6 horas em 2023.

A agência afirma ainda que, ao longo dos últimos quatro anos, o restabelecimento do fornecimento de energia realizado pela Enel SP tem apresentado um aumento considerável nas interrupções e unidades consumidoras afetadas em desligamentos superiores a 24 horas.

"Mostra-se evidente a demora por parte da Enel SP para alocação de uma equipe para atendimento a uma ocorrência emergencial, tendo em vista um tempo médio de preparo – TMP elevado e, consequentemente, um tempo médio de atendimento a Emergências – TMAE cada vez maior, evidenciando assim a piora na prestação do serviço por parte da distribuidora nos últimos dois anos", afirma a agência.

A agência destaca que, para chegar a esses resultados, exclui as ocorrências extremas, com o objetivo de evitar "distorções". A realidade, portanto, é ainda mais grave.

Por meio de nota, a Enel afirma que "reitera seu compromisso com a sociedade em todas as áreas em que atua e reforça que está fazendo os investimentos necessários para aumentar a qualidade dos serviços, em linha com as expectativas das autoridades e dos consumidores brasileiros".

Para o período 2024-2026, a concessionária declarou que vai investir no Brasil US$ 3,7 bilhões (cerca de R$ 20 bilhões, considerado o câmbio atual). Deste total, aproximadamente 80% serão investidos em distribuição de energia.

"Na área de concessão em São Paulo, a companhia vai investir um total de R$ 6,2 bilhões, um aumento de R$ 1,4 bilhão para cerca de R$ 2 bilhões na média anual de investimento da distribuidora."

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