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Cursinhos contestam questão de matemática da Fuvest e apontam erro no gabarito

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma questão de matemática da primeira fase da Fuvest, aplicada neste domingo (23), passou a ser alvo de contestação de professores e coordenadores de cursinhos, que apontam possível erro conceitual no gabarito oficial. A banca indicou a alternativa C como correta, mas docentes afirmam que a opção não assegura a conclusão exigida pelo problema.

Procurada, a Fuvest informou que o processo segue o procedimento padrão: candidatos podem apresentar recursos, que serão analisados pela comissão responsável. Após essa etapa, a banca decidirá se mantém ou altera o gabarito oficial. A fundação acrescentou ainda que já está elaborando um parecer sobre o caso.

O enunciado contestado, presente na terceira questão da prova V1, apresenta uma eleição fictícia para um conselho com cinco membros, composta por sete candidatos e 35 eleitores. A pergunta busca determinar quantos votos o candidato mais jovem precisaria receber para garantir sua vaga.

Confira a questão

Professores afirmam que é possível construir cenários válidos em que a conclusão da alternativa oficial se mostra falsa.

"Em cada uma das respostas pode ser que sim ou pode ser que não. Não se pode garantir nada", diz o professor Giuseppe Nobolioni, coordenador de matemática do Objetivo. Ele sustenta que a questão fere o próprio critério de certeza exigido pelo comando.

Segundo o professor Pedro Costa, do colégio Farias Brito, a alternativa C afirma que, caso dois eleitores não compareçam, o candidato Aleph precisaria necessariamente obter cinco votos para ser eleito. No entanto, afirma, esse cenário não é obrigatório.

"Se Aleph recebe quatro votos e os demais candidatos ficam com 4, 3, 13, 5, 2 e 2 votos, ele ainda assim é eleito, mesmo sendo o mais jovem. Isso contradiz diretamente o que afirma a alternativa C", diz.

Em razão disso, muitos professores e cursinhos, em gabaritos extraoficiais, optaram por deixar a questão sem resposta, argumentando que há cenários plausíveis para todas as alternativas.

Para Costa, a única opção logicamente sustentável é a alternativa D. A diferença, segundo ele, está no tipo de afirmação apresentada.

"O item não promete a eleição de Aleph, mas estabelece uma condição necessária para que isso aconteça com apenas quatro votos. Isso é diferente de uma garantia", afirma.

A alternativa D diz que, para que Aleph seja eleito com quatro votos, é preciso que ao menos um dos candidatos eleitos tenha recebido seis ou mais votos. Segundo o professor, se nenhum dos eleitos alcançar essa marca, a distribuição máxima possível de votos não alcança o total previsto no processo, gerando contradição matemática -o que valida a proposição.

De acordo com ele, parte da confusão nasce da interpretação do trecho "é preciso que", frequentemente lido como uma promessa de aprovação. "A frase não quer dizer que Aleph será eleito, mas que essa condição precisa existir para que ele possa se eleger com apenas quatro votos", explica.

A 1ª fase da Fuvest foi marcada pelas mudanças anunciadas neste ano, entre elas uma abordagem mais interdisciplinar. De acordo com professores ouvidos pela Folha de S.Paulo, a alteração foi percebida tanto na estrutura como nos temas

Mesmo com as mudanças, a estrutura da prova continua a mesma. A primeira fase tem 90 questões de múltipla escolha; na segunda serão aplicadas a redação e dez questões dissertativas de português no primeiro dia, seguidas de 12 questões específicas no segundo.

A segunda fase será em 14 e 15 de dezembro. A primeira chamada está prevista para 23 de janeiro de 2026.

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