RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A necropsia realizada no IML (Instituto Médico Legal) do Rio de Janeiro apontou que Yago Ravel Rodrigues Rosário, 19, encontrado decapitado após a operação Contenção, no dia 28 de outubro, teve também lesões no pulmão e fígado, e marcas que podem indicar tiros.
O diagnóstico da causa da morte assinado por um perito legista no dia 29 de outubro ao qual a Folha teve acesso aponta que, além da divisão cervical e dos vasos do pescoço, Yago teve fratura da coluna lombar, com consequência na medula, lesões no pulmão direito, fígado e estômago e lesão perfurocontusa, o que costuma indica marcas de tiro.
O laudo necroscópico dos mortos não foi divulgado.
A família alegava que não havia em Yago sinais aparentes de tiro quando o corpo foi resgatado na região de mata do complexo da Penha, no dia 29. Segundo a família, a responsável por encontrar o corpo foi a companheira de Yago o casal tem um filho.
O caso de Yago Ravel foi o que mais gerou atritos entre familiares de mortos e autoridades da Segurança Pública fluminense. A família acusa policiais de terem decapitado Yago. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, disse acreditar que os responsáveis pelo vilipêndio foram os próprios suspeitos, em tentativa, segundo Curi, de incriminar policiais.
"Quem disse que foi a polícia que cortou a cabeça dele? Nós instauramos inquérito para apurar o crime de fraude processual pela remoção indevida e ilegal desses corpos", afirmou o secretário em coletiva no dia 30.
Nesta segunda-feira (10) o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou que o governo do Rio envie até quarta (12) "cópias de todos os laudos necroscópicos realizados, com o registro fotográfico e busca de projéteis".
Também determinou que o estado preserve todas as imagens das câmeras corporais dos policiais e envie a relação de agentes destacados para a operação e dados das câmeras de cada um deles.
A Polícia Civil havia aberto um inquérito para investigar supostas ilegalidades referentes ao traslado e recolhimento dos corpos feito por moradores, o que, segundo secretários, incorreria em fraude processual. Moraes, no entanto, determinou nesta segunda a suspensão do inquérito.
No IML um familiar mostrou à Folha um vídeo do momento em que a cabeça de Yago é recolhida. A reportagem também teve acesso a outro vídeo de 10 segundos que mostra a cabeça entre dois galhos de uma árvore. As imagens circularam também pelas redes sociais e aplicativos de troca de mensagens.
No relatório entregue ao STF, o governo Cláudio Castro (PL) diz que Yago Ravel "não possui anotações criminais e não figura como autor ou envolvido em registros de ocorrência". O documento anexa uma foto de Yago e afirma que "foto em rede social demonstra envolvimento com o tráfico".
Em contato com a reportagem, um familiar que não será identificado afirmou que a família só descobriu suposto envolvimento de Yago Ravel com o Comando Vermelho depois da morte.

