Coronavac contra ômicron deve estar pronta em 3 meses, afirma fabricante

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

07/12/2021 15h36 — em Variedades

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A empresa chinesa Sinovac Biotech, responsável pela fabricação da vacina Coronavac, afirmou nesta terça-feira (7) que uma versão atualizada do imunizante contra a variante ômicron deve estar disponível em três meses. No Brasil, há seis casos de pessoas infectadas com a nova cepa.

No país, a vacina é produzida em parceria com o Instituto Butantan, em São Paulo. A empresa e o laboratório brasileiro fazem testes de neutralização in vitro da nova cepa, testes que devem ser concluídos em até 15 dias dias. Após a conclusão dessa etapa, a empresa deve iniciar os testes em humanos para avaliar a segurança e a eficácia.

Caso seja comprovada a ação de neutralização da nova fórmula contra a ômicron e a vacina tenha bons resultados nos testes, a Sinovac pretende produzir a versão atualizada da Coronavac com uma capacidade de 1 bilhão a 1,5 bilhão de doses por ano.

As informações foram apresentadas por Yaling Hu, pesquisadora principal dos estudos científicos da Coronavac na China, em um evento na sede do Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo.

Segundo Hu, com base nos estudos prévios de neutralização da Coronavac, é esperado que a versão atualizada do imunizante apresente um bom perfil de atividade também contra a ômicron.

"Essas são expectativas com base em testes da vacina contra diferentes variantes, mostrando um bom padrão de neutralização cruzada quando testada em laboratório. Também esperamos que a versão atualizada e usada como dose de reforço deve aumentar ainda mais a atividade de neutralização contra os diferentes tipos do vírus", diz.

Em maio, resultados dos testes em laboratório do imunizante contra diferentes variantes do vírus, incluindo a delta, mostraram capacidade da vacina em bloquear a entrada e replicação do vírus nas células.

Os anticorpos produzidos pela vacina foram capazes de bloquear igualmente a ação da forma ancestral do vírus de Wuhan e das variantes D614G (a primeira mutação a surgir do vírus), B.1.1.7 (britânica) e B.1.429 (californiana). No caso das variantes P.1 (de Manaus), B.1.351 (sul-africana) e B.1.526 (nova-iorquina), a vacina se mostrou eficaz, mas houve uma redução na taxa de anticorpos neutralizantes entre 4 e 5 vezes.

O estudo foi publicado na forma de correspondência —um artigo breve, porém revisado por pares— na revista The Lancet, uma das mais prestigiosas revistas científicas.

A vacina Coronavac utiliza a tecnologia de vírus inativado, ou seja, utiliza o vírus inteiro na formulação que é morto e é incapaz de se replicar. A utilização da morfologia total do vírus, e não partes dele, foi considerada por alguns especialistas como uma vantagem do imunizante contra as novas variantes do Sars-CoV-2, uma vez que as mutações que ocorrem em algumas partes do vírus, notadamente na proteína S do Spike (ou espícula, usada pelo vírus para entrar nas células) não seriam tão afetadas pelos anticorpos produzidos contra outras partes do vírus, por exemplo.

Segundo a diretora do Centro de Desenvolvimento Científico do Butantan, Sandra Coccuzzo, os indivíduos vacinados com a Coronavac desenvolvem anticorpos contra a proteína nucleocapsídeo, do núcleo do vírus. Por essa razão, é possível que a proteção da vacina se mantenha alta mesmo frente à nova variante.

A eficácia e capacidade da vacina de impedir hospitalização e óbito contra a nova cepa, porém, deve ser avaliada em novos estudos de efetividade, ou eficácia de vida real. Até o momento, sinais de que a ômicron causa quadros de infecção mais leves são animadores, mas cientistas ainda aguardam mais informações do vírus para a conclusão.

Em um estudo de eficácia na vida real após a vacinação em massa em Serrana, no interior de São Paulo, a Coronavac apresentou uma efetividade de 80,5% contra casos sintomáticos, 95% contra hospitalização e 94,9% contra óbitos. A proteção foi ainda maior na população com 60 anos ou mais, com 86,4% de eficácia contra a Covid-19 sintomática, 96,9% contra hospitalização e morte.

O pesquisador e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, Marcos Borges, afirmou nesta terça (7) que a vacinação alcançou a chamada imunidade coletiva contra casos sintomáticos da doença ao atingir 52% da população adulta da cidade vacinada.

CONCORRENTES

Outras fabricantes de vacina contra a Covid-19 também investigam a eficácia de seus produtos frente à nova cepa do Sars-Cov-2.

A Pfizer deve divulgar ainda neste mês os resultados de sua avaliação. Se houver necessidade de alterações, o desenvolvimento do imunizante pode ocorrer em seis semanas. Seriam precisos, então, cem dias para sua produção e entrega.

A Janssen começou a trabalhar para projetar e desenvolver uma nova vacina após o surgimento da ômicron, identificada inicialmente na África do Sul. "Vamos progredir rapidamente em estudos clínicos, se necessário", disse Mathai Mammen, diretor global de pesquisa da unidade farmacêutica da Johnson & Johnson.


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