SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O consórcio de veículos de imprensa para divulgação de dados da Covid no Brasil completa, nesta quarta-feira (8), dois anos. A união inédita e histórica de Folha de S.Paulo, UOL, O Estado de S. Paulo, Extra, O Globo e G1 ocorreu em um momento em que o governo Jair Bolsonaro (PL) tomava atitudes que reduziam a quantidade e qualidade dos dados disponíveis sobre a Covid no Brasil.
No início da pandemia, o governo federal divulgava em um portal as informações sobre casos e mortes relacionados à Covid. No entanto, em meio à evolução da doença no país, passou a atrasar a divulgação diária de dados.
O horário, inicialmente, era às 17h (gestão do ministro Luiz Henrique Mandetta). Passou para as 19h e, depois, para as 22h. O horário tardio dificultava a publicação dos dados em telejornais e veículos impressos e, consequentemente, impactava a informação passada ao público.
"Acabou matéria no Jornal Nacional", chegou a dizer o presidente Bolsonaro, em tom de deboche, ao comentar a mudança, em junho de 2020, dias antes do início oficial do consórcio.
O portal com os dados da Covid no Brasil chegou a ficar mais de 19 horas fora do ar. No seu retorno, havia desaparecido o histórico com a evolução da pandemia no país e constava somente o total de casos registrados no dia em questão. Outra informação que não mais aparecia era a de mortes por data de notificação e por semana epidemiológica, alguns dos dados básicos sobre a doença. Também não havia mais a opção de fazer o download dos dados.
Os veículos, então, uniram-se para buscar as informações da doença diretamente com os estados e com o Distrito Federal. Cada um deles ficou responsável por um grupo de entes federativos.
O grupo passou ainda a usar a coleta direta com os estados como uma ferramenta de transparência e regularidade na divulgação dos dados. Por exemplo, foi graças a esse acompanhamento constante que G1 e Folha de S.Paulo verificaram e noticiaram um abismo entre os números de casos de Covid registrados pela capital paulista e os valores que o estado de São Paulo apontava para a cidade.
Com o avanço da pandemia, além dos dados de casos e mortes, o consórcio também trouxe algumas informações mais esperançosas: os números de vacinação contra a Covid --que teve um início consideravelmente lento no país, após, mais uma vez, entraves e falta de ação do governo federal.
A união inédita dos veículos brasileiros foi reconhecida.
No fim de 2021, pior ano da pandemia no Brasil, com índices de mortes elevadíssimos, o consórcio recebeu o título de mídia do ano, na modalidade mídia especializada do prêmio Aberje (Associação Brasileira de Comunicação Empresarial).
Também no fim de 2021, o consórcio, com o Projeto Comprova, recebeu o Prêmio ANJ (Associação Nacional de Jornais) de liberdade de imprensa.
Em 2022, concorreu ao Sigma Awards, prêmio internacional de jornalismo de dados. A premiação internacional destacou a velocidade com que se formaram as equipes para a coleta diária de dados e o fato de que se trata de uma parceria inédita entre veículos de imprensa concorrentes.
"A missão do jornalismo de informar a população, porém, tornou necessária a tomada de ação em um momento decisivo em meio à pandemia", diz o site da premiação, que, contudo, não foi vencida pelo consórcio. "A colaboração diária entre redações jornalísticas ao redor de um objetivo em comum faz do consórcio uma iniciativa única."

