BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - A Colômbia anunciou na manhã desta sexta-feira (21), na COP30, a criação de uma nova conferência internacional para a transição de combustíveis fósseis e lançou uma declaração pedindo um mapa do caminho sobre o tema.
O evento ocorreu horas após a publicação de um novo rascunho do acordo final desta edição da cúpula das Nações Unidas sobre mudança climática que não cita a intenção de criar o mapa do caminho.
"Esta COP não pode terminar sem um mapa claro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis", disse a ministra do Meio Ambiente colombiana, Irene Velez-Torres. "Mais de 80 países apoiam um mapa do caminho. A Colômbia apresenta hoje a Declaração de Belém para a transição dos combustíveis fósseis".
No lançamento, a lista de signatários da declaração que não inclui o Brasiltem 25 países: Austrália, Áustria, Bélgica, Camboja, Chile, Colômbia, Costa Rica, Dinamarca, Fiji, Finlândia, Irlanda, Jamaica, Quênia, Luxemburgo, Ilhas Marshall, México, Micronésia, Nepal, Países Baixos, Panamá, Espanha, Eslovênia, Vanuatu e Tuvalu.
A proposta do mecanismo tinha aparecido na primeira versão do texto, mas foi excluída na madrugada desta sexta-feira (21). A ideia de criar um mapa do caminho para transição energética é da ministra do Meio Ambiente brasileira, Marina Silva, e foi citada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em seus discursos no encontro de líderes mundiais que antecedeu a COP30.
"Esta conversa não pode terminar aqui. O governo da Colômbia, em aliança com a Holanda, anuncia hoje a primeira Conferência Internacional para a Eliminação Progressiva dos Combustíveis Fósseis", afirmou Velez-Torres, sendo ovacionada pela plateia lotada da coletiva de imprensa.
A conferência está prevista para acontecer na cidade colombiana de Santa Marta, em 28 e 29 de abril de 2026.
A coletiva convocada pela Colômbia reuniu ministros de 14 países, principalmente de nações insulares do Pacífico, como Vanuatu, que correm o risco de desaparecer devido à mudança climática a edição de 2027 da conferência recém-criada deve acontecer na região. Marina Silva não compareceu à coletiva, mas recebeu agradecimentos pela iniciativa brasileira sobre o tema.
"Sem mitigação nós ficaremos presos num ciclo de aumento de emissões e custos de adaptação climática", disse o ministro ambiental de Luxemburgo, Serge Wilmes.
"Nós sabemos que alguns não estão convencidos, mas, como o ministro de Tuvalu disse, nós não podemos esperar", afirmou a representante das Ilhas Marshall, Tina Stege. "Esse mapa do caminho é inevitável, ele vai acontecer. Esses países se uniram para garantir que ele vai acontecer".
O enviado climático do Panamá, Juan Carlos Monterrey, afirmou que o rascunho do acordo final publicado na madrugada desta sexta é inaceitável e que não é uma base séria para as negociações.
"O texto falha com a Amazônia, falha com a ciência, falha com a justiça e falha com as pessoas que estamos aqui para representar. Simplesmente não pode ser legitimado", disse. "Permanecemos comprometidos com a justiça e com os territórios e, mais importante, com a ciência. Temos que manter os combustíveis fósseis debaixo da terra".
Uma adesão de última hora à declaração lançada pela Colômbia foi a Austrália, que é um dos maiores produtores de carvão do mundo e costuma se opor a esse tipo de iniciativa. Porém, o movimento vem após a decisão de que o país irá chefiar as negociações da COP31, no próximo ano, que acontecerá na Turquia.
"Esta é a declaração mais forte que a Austrália já fez sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, o que requer um rápido aumento da energia renovável", avalia Thom Woodroofe, ex-diplomata climático e membro da ONG australiana Smart Energy Council.
"Precisamos alcançar reduções profundas, rápidas e sustentadas nas emissões globais para atingir emissões líquidas zero até 2050 e cumprir os objetivos do Acordo de Paris. Isso não será possível sem o tipo de anúncio que vimos hoje", acrescentou Woodroofe.


