Passados mais de 20 anos - Lavoura é de 2001 -, Caio está lançando seu primeiro longa nos cinemas, O Debate. Não vacila quando o repórter pergunta o que mais retém da experiência. "Dirigir exige muito preparo, todas as etapas são importantes, mas meu maior prazer é o trabalho com os atores."
Paulo Betti e Débora Bloch. O filme conta a história desse casal de jornalistas, cuja ligação está por um fio. Em vez de contar linearmente, o roteiro escrito por Guel Arraes e Jorge Furtado - a partir da peça deles - seleciona cenas de um casamento que vão sendo encaixadas nos blocos que o próprio Caio Blat, como mediador, vai chamando no debate decisivo entre os presidenciáveis na disputa de 2022. Eles não são nomeados, mas você vai identificá-los. As características de ambos, destacadas nas discussões do casal, são mais do que evidentes.
O PAPEL DA IMPRENSA
O Ibope pode ou não pode, deve ou não deve ser divulgado? E na última cena - apurados 70% dos votos, quem está na frente?
Você tem de ver o filme. Vale a pena. Caio Blat faz uma estreia sólida. Aprendeu muito com seus diretores. Foram muitos, não dá para citar todos. Helvécio Ratton, Hector Babenco, José Eduardo Belmonte, Cláudio Assis, Júlia Rezende e um grande etc. Ele diz que chegava a ser chato nos sets, querendo dar sugestões. Tinha de fazer o próprio longa.
O interessante é que o trio criador de O Debate está junto em outro projeto, mas dessa vez Caio interpreta, Furtado e Guel escrevem e o segundo dirige. Uma transposição - transcriação? - de Grande Sertão: Veredas no meio das comunidades, com seus problemas de desigualdade, de polícia, de drogas e violência. Quando Guel o chamou para o filme, Caio vacilou. Já havia Guimarães Rosa - esse Guimarães - no teatro, com Bia Lessa. "Achei que estaria me repetindo, mas o roteiro aponta para outra coisa." Essa outra coisa nós, o público, somente vamos descobrir em 2023. A partir desta quinta, em pleno processo eleitoral, o que interessa é O Debate.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


