SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Durante a pandemia do novo coronavírus, moradores de grandes centros estão assumindo cada vez mais as tarefas domésticas. Segundo pesquisa realizada pela consultoria Galunion em maio de 2020, 48% dos 1.100 entrevistados declararam que já cozinhavam em casa, mas aumentaram a frequência na quarentena, enquanto 6% adotaram o hábito. O chef francês Alain Poletto, dono do restaurante Bistrot de Paris, em São Paulo, viu a mudança de comportamento do consumidor como uma oportunidade de negócio. Assim que o isolamento começou, Poletto investiu na divulgação de sua linha de pratos semiprontos embalados a vácuo, que andava de lado. "Como a quarentena estava se alongando, criei kits com todos os ingredientes necessários para finalizar os pratos, assim as pessoas não precisam sair para comprar nada." São 13 kits, com opções individuais ou para até três pessoas, e preços que variam de R$ 38 (sopa de cebola) a R$ 180 (paleta de cordeiro). Para manter a conexão com os clientes, Poletto reativou seu canal no Youtube, que estava parado há tempos, e passou a postar vídeos sobre a montagem das receitas. Quando o cliente compra um kit, recebe um QR Code que dá acesso direto ao vídeo. Por semana, o restaurante chega a vender 150 kits. E Poletto aposta que a demanda tem tudo para continuar alta depois do fim da quarentena. "Estamos remodelando o site, criando um ecommerce e aprimorando o nosso serviço de delivery. Os clientes estão adorando, montam as refeições e nos mandam fotos do resultado. É uma tendência que veio para ficar." Lucas Koenig, fundador da Woodspoon, de Florianópolis (SC), também está feliz com os resultados na quarentena. Sua empresa, que vende kits de ingredientes in natura para preparo de refeições em casa, cresceu 40% em maio. Receitas para o dia a dia, como rosbife ao molho de cogumelos com batatas rústicas, ou mais elaboradas, caso do linguado ao vinagrete de banana-da-terra, podem ser adquiridas de forma avulsa ou por assinatura. As porções individuais custam entre R$ 25 e R$ 50 e vão com a receita impressa, que tem fotos do passo a passo. "Antes, nosso público era formado por pessoas que já gostavam de cozinhar. Agora, percebemos que os novos clientes perguntam se a receita é simples, porque são pessoas pouco experientes na cozinha", afirma Koenig. E não é só no fogão que os brasileiros estão se aventurando. A empresa TempoTem, especializada em assistência residencial e automotiva, acaba de lançar a modalidade de visita técnica online. Pela chamada de vídeo, é possível conversar com um eletricista ou encanador, por exemplo, e mostrar o problema. Dependendo do serviço, o profissional ensina o cliente a resolvê-lo. Se for um defeito mais complexo, adianta o diagnóstico e as peças que deverão ser compradas para o conserto, a ser finalizado em visita presencial. Pelo atendimento online, por enquanto disponível na Grande São Paulo, em Campinas (interior de São Paulo) e Curitiba (PR), o cliente paga R$ 29,90 por hora. "Nossa expectativa é que o modelo evolua e continue depois da pandemia. Estamos surpresos com o feedback positivo dos clientes", afirma Bianca Bianchini, que é diretora da TempoTem. Os prestadores de serviço também aprovaram o sistema. Técnico em elétrica da empresa, Anderson de Morais diz que o atendimento inicial por vídeo permite que a visita presencial, quando necessária, seja mais rápida e eficiente. "A gente chega sabendo o que vai encontrar, com as peças já compradas."
