BELÉM, PA (FOLHAPRESS) - O bilionário australiano Andrew Forrest, o primeiro investidor privado do Fundo de Florestas Tropicais (TFFF), afirma que se ofereceu para atrair outros atores a realizarem aportes no mecanismo.
Nesta sexta-feira (7) ele, que está em Belém para participar da COP30 a conferência sobre mudança climática da ONU (Organização das Nações Unidas) anunciou que vai colocar US$ 10 milhões no fundo, que até aqui estava restrito a apoio de países.
"Fiz a oferta ao governo brasileiro e ao presidente do Banco Mundial de que ficaria feliz em servir a esta causa falando com investidores internacionais em todo o mundo, instituições e outros filantropos que precisam investir capital", afirmou à reportagem.
Ele deve se reunir com integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar do tema. A COP30 começa nesta segunda-feira (10).
O Brasil é o idealizador do TFFF, que é uma das principais apostas do país para a conferência.
Até aqui, Noruega, Brasil, Indonésia e França prometeram realizar investimentos no fundo, que agora acumula US$ 5,5 bilhões em compromissos.
O aporte de Forrest é o primeiro que vem do setor privado. Ele diz que sua decisão busca posicioná-lo como "smart first mover", termo em inglês que no mercado é usado para definir aquele que ganha vantagens pelo pioneirismo.
"Todo mundo espera que outra pessoa vá primeiro", diz. "Esse aporte criará uma vantagem catalítica para informar outros investidores ao redor do mundo de que os astutos, experientes e com consciência podem fazer investimentos em larga escala no TFFF, porque é seguro, você obtém retorno e, o melhor de tudo, consegue salvar as florestas".
O TFFF funciona como um fundo tradicional. A ideia é comprar títulos no mercado internacional com rendimentos entre 7% e 8% e repassar a seus acionistas entre 4% e 5,5%, idealmente.
O excedente do rendimento é revertido para países com florestas tropicais e que preservem o bioma, a uma taxa de US$ 4 por hectare e desde que seguidas uma série de condições de transparência, limite de desmatamento e destinação dessa verba.
A ideia do mecanismo é reunir US$ 25 bilhões em investimentos chamados júnior, e US$ 100 bi no mercado privado.
O primeiro bloco é pensado idealmente para atrair fundos soberanos de países e serve para dar segurança ao fundo.
Caso o rendimento seja menor que o esperado, primeiro ficam sem receber os governos com florestas tropicais e, na sequência, este grupo, protegendo assim os investidores privados. Essa estrutura foi pensada para tornar o mecanismo mais atrativo ao mercado privado, e fazê-lo alcançar a meta de US$ 125 bilhões.
O investimento de Forrest será por meio de sua Fundação Minderoo, e deve (apesar de ser privado) se enquadrar como um investimento júnior, mas os detalhes disso ainda estão em debate.
"Investidores profissionais, o capital filantrópico ou até governos podem vir até nós e perguntar por que nós investimos. Vamos explicar e eles vão dizer: ok, se é bom o suficiente para a Minderoo e o Andrew Forrest, é bom o suficiente para nós", completa.
O bilionário já vinha acompanhando o desenvolvimento do fundo e inclusive realizou aportes de recursos de apoio, usados por exemplo para despesas com equipes ou contratações.
Com 63, ele é uma das pessoas mais ricas da Austrália, segundo a revista Forbes, com fortuna estimada em US$ 16 bilhões.
É dono da Fortescue, uma das maiores mineradoras do mundo. A empresa opera minas de minério de ferro na Austrália e tem planos para produzir aço a partir do hidrogênio de verde, combustível feito à base da separação de moléculas de água e que não emite emissões de carbono.
No Brasil, a Fortescue também tem um projeto de hidrogênio verde. A mineradora pretende tomar uma decisão final de investimento até o ano que vem sobre se segue com seus planos de produzir o combustível no Ceará, prazo que segundo quem acompanha esse mercado pode ser adiado, devido à crise enfrentada hoje pelo setor.
Forrest visitou nesta sexta-feira (7) em Belém o Green Pioneer, considerado pela Fortescue o primeiro navio movido a amônia em mares internacionais. A amônia verde é feita a partir da mistura de hidrogênio verde e nitrogênio. A embarcação chegou à capital paraense nesta semana.
Apesar da crise do setor, ele disse à Folha ainda ser entusiasta do mercado. "Estou muito confiante, porque a própria indústria naval vai precisar de cerca de um bilhão de toneladas de amônia", afirmou. "[E para fazê-la] é necessário água, sol e vento, que são infinitos. Então, vamos conseguir reduzir bastante o custo desse combustível para navios e não destruir o planeta, que é o que a indústria naval faz atualmente."
"Houve lobby contra o hidrogênio vindo do setor de petróleo e gás, mas no final a economia prevalecerá", concluiu.

