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Belém e Paris firmam convênio para combate às mudanças climáticas

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os prefeitos de Belém, Igor Normando (MDB), e de Paris, Anne Hidalgo, firmaram neste sábado (8) um acordo de cooperação bilateral para intercâmbio de experiências e profissionais que possa contribuir para tornar as duas cidades mais sustentáveis e resilientes aos impactos das mudanças climáticas.

A assinatura ocorreu no Palácio Antônio Lemos, sede do governo municipal, um dos prédios históricos da cidade velha.

A solenidade incluiu visita ao Mabe (Museu de Arte de Belém), que ocupa em parte das instalações da prefeitura. No local, Hidalgo pode ver, entre outras obras, fotografias do antropólogo franco-brasileiro Pierre Verger. O Mabe tem o maior acerto de Verger na região Norte, com 150 fotos que retratam detalhes da cultura paraense.

A parceria, que também busca apoio técnico para a requalificação do centro histórico de Belém, começou a ser discutida na Cúpula dos Prefeitos, que ocorreu no Rio de Janeiro, no inicio de novembro.

Hidalgo não chegou a citar os conflitos envolvendo imigrantes, que são crescentes nos países europeus, inclusive em Paris, mas destacou que o Hemisfério Norte em geral tem muito a aprender sobre a convivência com a diversidade que ela afirmou estar presenciando na capital paraense.

"As soluções só avançarão se forem construídas nas cidades e em meio a diversidade. Temos muito a aprender com a diversidade desse líder do Sul Global que é o Brasil e com a cidade de Belém, que está na Amazonia", afirmou ela, do Partido Socialista francês.

A prefeita de Paris ficou mundialmente conhecida por ter mergulhado no Sena durante as Olimpíadas, sob aplausos dos espectadores, para provar que confiava na despoluição do rio.

Normando detalhou que Belém tem interesse nas políticas parisienses para a arborização e transporte, com destaque para organização do trânsito, um dos desafios enfrentados pela cidade.

O prefeito destacou ainda que uma cooperação firmada durante a agenda da COP30 pode dar início um "segundo ciclo da borracha" entre Belém e Paris, numa referência a influência que a cidade europeia teve sobre o Pará há mais de 100 anos.

"No passado, Belém se espelhou em Paris para fazer os grandes projetos, nada mais justo do que agora, onde a gente tá dando essa virada de chave, ocorra essa aproximação."

Belém ficou conhecida como Paris N'América ou Petit Paris na virada dos séculos 19 para 20, quando o ciclo da borracha financiou a pujança da região Norte. O estilo francês, na época marcado pelo movimento conhecido como Belle Époque, influenciou especialmente a elite da época, moldando a cultura, a gastronomia, a moda e até o espírito dos gestores públicos, que promoveram reformas urbanas inspiradas no modo de vida europeu, especialmente o parisiense.

Boa parte da repaginação ocorreu na gestão do intendente Antonio Lemos, que governou Belém de 1897 a 1911, reformulando a estrutura urbana da cidade. Nesse período, a cidade ganhou iluminação elétrica, água encanada e iniciou o sistema de esgoto. Foram abertos bulevares, praças, palacetes, cafés e clubes.

Heranças da fase áurea da borracha estão especialmente na área central do município. A Basílica de Nazaré, o Theatro da Paz, a Praça da República, a Praça Batista Campos o Quartel do Corpo de Bombeiros.

Também são símbolos daquele momento a modernização do Mercado do Ver-o-Peso. Foi nessa época que local ganhou torres com escamas de zinco, inspiradas na Art Nouveau. Dentro do complexo, e também vieram da Europa as estruturas metálicas do Mercado de Ferro ou Mercado de Peixe, erguido na época, e do Mercado Municipal de Carne, que passou por reformas.

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