SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Flores, velas e cartazes com os dizeres "queremos justiça" e "basta de genocídio", marcaram um ato na noite desta terça-feira (12), na esquina das ruas Navarro de Andrade e Mourato Coelho, em Pinheiros, zona oeste de São Paulo.
Há exatos cinco anos, o catador Ricardo Silva Nascimento, 39, negro e em situação de rua, foi morto no local com dois tiros por um policial militar. O processo ainda está em andamento e o autor dos disparos nunca foi julgado.
A manifestação, organizada pela ONG Pimp My Carroça com apoio do Movimento Nacional dos Catadores, reuniu 30 pessoas e durou 40 minutos.
Moradores da região que discursaram no ato afirmaram que o catador era uma pessoa querida. "Tiraram o nosso vizinho! Ricardo era tranquilo, trabalhador e muito organizado", disse a advogada Ana Christina Domineghetti. Sempre foi generoso e educado. Nunca mendigou e dividia o pouco que ganhava com os outros".
"!Daqui a uma semana haverá uma audiência do caso. A partir dela, a Justiça terá elementos para decidir o rumo do processo", disse a jornalista Mônica Soutelo, uma das organizadoras. Ele defende que o caso vá para júri popular, o que ainda será decidido pela Justiça.
Na esquina das ruas Navarro de Andrade e Mourato Coelho , os manifestantes também pintaram no chão a frase "Justiça para Ricardo". O grupo chegou a instalar duas obras que fazem referência a uma carroça no local para homenagear o catador, mas elas foram removidas pela prefeitura.
Na época do caso, os policiais envolvidos na ocorrência foram afastados do trabalho nas ruas.



