Arnold Alois Schwarzenegger - quantos de seus fãs sabem que ele possui esse nome do meio? - tinha 37 anos quando interpretou o papel que o marcou, mais do que qualquer outro. Nascido na Áustria, em 1947, fez carreira no fisiculturismo. Aos 20 anos venceu o concurso de Mr. América e, na sequência, venceu sete vezes - sete! - o concurso de Mr. Olympia. Foi o passaporte que o levou a Hollywood para interpretar Conan, o Bárbaro, no longa de mesmo nome de John Milius, de 1982, baseado nos quadrinhos de Robert E. Howard. O resto é história. Só como Terminator ele fez mais três filmes - O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final, O Exterminador 3 - A Rebelião das Máquinas, O Exterminador 5 - Destino Sombrio. No 4, foi substituído por Christian Bale.
Após Conan - e o Terminator - Schwarzenegger virou um dos mais requisitados astros de ação de Hollywood. Fez Comando para Matar, Predador, Inferno Vermelho, O Vingador do Futuro, O Último Herói de Ação, True Lies e Fim dos Dias. O Último Herói pegava carona na Síndrome de Cecília, do clássico de Woody Allen A Rosa Púrpura do Cairo, e o garoto premiado com o ingresso mágico entrava na tela para viver movimentadas aventuras ao lado de Schwarzenegger.
Quanto a Fim dos Dias, foi produzido sob medida para explorar a paranoia deflagrada pelo medo do big bug, na passagem do milênio. Disposto a parodiar a própria imagem de herói de ação emendou comédias - Irmãos Gêmeos, de Ivan Reitman, tão absurdo que o irmão era Danny DeVito, Um Tira no Jardim de Infância e Júnior. Nesse, um remake disfarçado de Um Homem em Estado Interessante, de Jacques Demy, com Marcello Mastroianni, ele engravidava. Casado com Maria Shriver, do clã Kennedy, ninguém estranhou quando Schwarzenegger enveredou para a política. Foi governador da Califórnia num mandato tampão em 2003 e reeleito para outro mandato integral em 2006.
Em A Rebelião das Máquinas, o repórter do Estadão estava lá na junket. O Terminator acariciava a cadeira vaga do presidente dos EUA. O imigrante austríaco sonhava com o posto? Se sonhava.
Schwarzenegger desistiu e voltou a atuar, inclusive contracenando com Rodrigo Santoro em O Último Desafio. A carreira política não foi muito longe. No fim dos anos 1990, admitiu que havia tido um filho com uma trabalhadora da casa. Foi um longo processo, mas Maria e ele se divorciaram no ano passado. Embora republicano de carteirinha, esteve na contramão do presidente Donald Trump. Quando Trump foi contra a vacina da covid, invocando a liberdade individual, Schwarzenegger criou uma de suas frases famosas. "Fuck freedom." O senso comum tem de prevalecer.
Parabéns, Arnold!
E qual é o motivo para lembrarmos tudo isso? Arnold está completando 75 anos neste sábado, 30. A data está sendo lembrada pelo canal Star+, que tem no seu streaming os seguintes filmes do astro - O Predador, Júnior, O Último Desafio, Fim dos Dias, Sabotagem, Irmãos Gêmeos, Conan, o Bárbaro, Um Tira no Jardim da Infância. No canal A&E, será possível (re)ver O Exterminador do Futuro e A Rebelião das Máquinas. Já que iniciamos o texto com frases emblemáticas, incluindo uma de Schwarzenegger como Terminator, por que não outra?
Conta a lenda que foi a única briga de Schwarzenegger com o diretor Cameron no set de O Exterminador do Futuro. Schwarzenegger bateu pé. Não queria dizer a frase - também emblemática - "Ill be back", Eu voltarei. O astro sustentava que, como um robô, deveria dizer "I will be back". Cameron não quis nem saber - "Eu não me meto na sua interpretação, então não se meta na minha escrita. Vai ser Ill be back, e assunto encerrado." A frase, como o diretor queria, contribuiu para a aura do filme, e do personagem de Schwarzy. Tanto é verdade que, neste sábado, ele está de volta como o indestrutível Terminator.



