Após negar, farmácia do Sul admite que áudio homofóbico é de funcionária da rede

Por Folha de São Paulo / Portal do Holanda

22/10/2021 20h06 — em Variedades

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O áudio que circulou nesta semana na internet com orientações para evitar a contratação de candidatos gordos, gays e com piercing para vagas de emprego é de uma funcionária da São João, uma das maiores redes de farmácias do Sul do país, segundo a Polícia Civil de Imbé (RS), que investiga o caso.

O delegado responsável, Antonio Carlos Ractz, afirma que identificou a origem do conteúdo e o nome da mulher que enviou o áudio. Ele diz também que as informações foram confirmadas pelo advogado da empresa à polícia na quinta (21).

A princípio, a São João negou, porém, nesta sexta (22), voltou atrás e divulgou um comunicado afirmando que fez uma investigação interna e constatou que o áudio foi enviado por uma funcionária sem o conhecimento da direção da empresa e por um canal não oficial.

"Foi um ato totalmente isolado de uma colaboradora, que não condiz com as práticas da empresa", diz a nota.

Na segunda (18), a São João havia dito que o conteúdo era falso e havia sido publicado por pessoas de fora e desconhecidas para prejudicar a imagem da empresa.

Na gravação que circula nas redes sociais, a voz orienta que as lojas contratem pessoas com "aparência boa", evitando candidatos tatuados, com piercings no rosto e "muito gordos", porque a empresa "lida com saúde".

"Se pegar alguém, com todo o respeito, veado, tem que ser uma pessoa alinhada, que não vire a mão, não desmunheque", diz o áudio. "Feio e bonito, a gente vai pagar o mesmo preço. Então vamos pegar os bonitos, né. Não somos bobos nem nada", conclui a mulher.

Segundo o delegado, a funcionária ainda não foi localizada para prestar depoimento e está sujeita a pena de 2 a 5 anos pelo crime de homofobia.

"A Rede de Farmácias São João vem, por meio de nota, novamente, reafirmar seu compromisso e respeito incondicional com a diversidade e inclusão. Como já foi comunicado, a empresa repudia toda e qualquer manifestação que possa contrariar o ideal e valores de respeito aos direitos humanos", diz a empresa na nota desta sexta (22).

Na terça (19), o Ministério Público do Trabalho no Rio Grande do Sul também abriu inquérito para investigar o áudio que circula nas redes sociais. O órgão notificou a empresa, que tem dez dias para responder.


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