SÃO PAULO, SP FOLHAPRESS) - Carreata seguida de buzinaço é sinônimo de protesto. Mas, na quarentena contra o novo coronavírus, essa forma de chamar a atenção ganhou outro uso: a comemoração da chegada da vida. No caso, a de Helena. Carros com balões cor-de-rosa grudados no capô e cartazes com a hashtag #VemHelena encheram as ruas do bairro Esplanada das Barreiras, em São Vicente, cidade do litoral paulista, na tarde deste domingo (26). O barulho das buzinas despertou a vizinhança. Muita gente custou a entender que a carreata não era um ato político, mas um chá de bebê sobre quatro rodas. Nem a mãe de Helena, Daniela Soares Campos, 36, acreditou que toda aquela movimentação era para a sua futura filha. A professora da educação infantil do município havia se conformado com o cancelamento do tão aguardado chá de bebê de Helena para não se colocar em risco e nem expor a família num momento em que é recomendado evitar aglomerações. "Eu estava pensando em fazer o chá de boas-vindas da minha filha só no segundo semestre após passar toda essa quarentena", disse. Mas o que ela não sabia é que as amigas, as irmãs e as vizinhas dela já tinham na manga um plano ajustado para a Helena ganhar seus presentes antes de nascer --como manda a tradição. O planejamento levou um mês para sair do papel, conta Tatiane Caroline Soares de Carvalho, 35, irmã de Daniela. "Como a gente sabia que não poderia ficar aglomerado, resolvemos fazer uma carreata". A surpresa foi sendo dada a conta-gotas neste domingo. Primeiro, a professora recebeu um vídeo das amigas pelo celular com desejos de um bom parto. Em seguida, foi avisada que deveria ir até a calçada buscar uma surpresa. Lá, se deparou com a carroceria da picape do pai abarrotada de presentes para Helena. Enquanto conferia, muito emocionada, cada presente recebido, entre eles, um carrinho de bebê, roupas, muitas fraldas e produtos de higiene pessoal, é que o chá sobre quatro rodas de fato começou. As amigas da professora entraram na rua dela com seus carros e começaram a fazer o buzinaço programado. Os carros deram voltas na quadra e fizeram muito barulho. Ao final da carreata, o grupo, que usava máscaras de proteção, se uniu na frente da casa de Daniela. Não houve contato entre eles. Mantendo a distância em relação aos amigos, a professora não conteve a emoção. "Hoje eu acordei muito triste, angustiada e com medo pelo meu parto porque o momento é muito difícil", disse. "Mas o sentimento que tenho hoje é de gratidão. Eu nunca vou esquecer todo o amor que vocês deram para a minha filha." Helena, diz a dona de casa Célia Maria Soares, 62, será a sua nona neta. "Eu só tenho que agradecer pelo meu maior tesouro: a família tão unida que eu tenho. Estou louca para segurar a minha nova netinha". O futuro pai de Helena, o pedreiro Michael Maioli de Lima, 40, só descobriu a surpresa ao perceber uma movimentação diferente dentro de casa. O pedreiro conta que a caçula virá "para colocar ordem na casa e equilibrar as forças", já que o casal é pai de três meninos: os gêmeos Rafael e Igor, de 13 anos, e de Lucas, 17. Daniela já cumpriu os nove meses de gestação. O parto de Helena está marcado para esta quarta-feira (29), mas a mãe se diz preparada para outra surpresa. "Ela pode nascer a qualquer momento, porque já está encaixada na posição certa", avisa.



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