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Ameaça de falsa bomba no rodoanel era tentativa de roubo, diz polícia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma suspeita de bomba em uma carreta no km 45 do Rodoanel Mário Covas, em Itapecerica da Serra (SP), na manhã desta quarta-feira (12), está sendo investigada como tentativa de roubo pela Polícia Civil, informou a SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo.

Essa definição foi tomada após o depoimento do motorista da carreta, de 52 anos, que ficou mais de quatro horas amarrado dentro do veículo, antes de ser resgatado abalado e socorrido ao Hospital Geral de Itapecerica da Serra.

O Centro de Comunicação da Polícia Militar chegou a cogitar que se tratasse de um surto do motorista, mas essa possibilidade foi descartada.

De acordo com o delegado Márcio Fruet, da Dise (Delegacia de Investigação Sobre Entorpecentes) de Taboão da Serra, responsável pela investigação, o condutor apresentou versões conflitantes nas vezes em que foi ouvido, mas afirma que esse comportamento é normal.

"Nós estamos ainda com dificuldade para entender a ocorrência. Já apareceram versões conflitantes, o que é normal em função da situação e das medicações que ele está tomando", destaca o delegado.

O motorista contou que havia levado uma carga de explosivos para o Peru e que estava voltando com o caminhão vazio do estado do Acre com destino a São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. A carreta pertence à empresa Sitrex, especializada no transporte rodoviário internacional, que afirmou em nota que o motorista cumpriu adequadamente todos os procedimentos legais, de segurança e de velocidade adequada na viagem.

Ao chegar ao km 41 do rodoanel, o condutor disse que passou a ser perseguido por dois veículos, após uma pedra ser atirada contra o para-brisa da carreta, local em que a polícia encontrou estilhaços. Quatro quilômetros depois, segundo o relato, o caminhão foi bloqueado e seis homens armados saíram dos carros. Três deles entraram na cabine, amarraram o condutor e o colocaram na parte de trás da boleia do caminhão, na cama. Nesse momento, o motorista disse ter ouvido os criminosos falando que a carreta seria usada para levar armas, que estariam nos veículos deles, para o Rio de Janeiro.

Momentos depois, um representante da empresa teria ligado e os criminosos soltaram o motorista para falar. Ele disse à polícia que tentou fugir, brigando com os homens. Mas foi agredido por eles, amarrado e colocado ao lado da falsa bomba.

O condutor também destacou que o caminhão foi colocado de travessa nas pistas do rodoanel por um dos criminosos, que, segundo ele, não teria experiência com veículos com tipo. O motivo de terem largado o veículo foi o bloqueio realizado remotamente pela empresa.

De acordo com o boletim de ocorrência, ao qual a Folha de S.Paulo teve acesso, o condutor teria entrado em contato com a sua empresa por volta das 5h30 informando que ele teria sido sequestrado e que estava com bombas amarradas no corpo dentro do caminhão. Ele teria falado também que outro motorista da empresa estaria na mesma situação. O representante da companhia, porém, negou esse outro caso.

O delegado Márcio Fruet disse que está apurando a informação de que o motorista estaria com as duas mãos amarradas e teria sido parcialmente liberado por outros caminhoneiros que o auxiliaram. Imagens de câmeras de segurança serão analisadas para confirmar.

"O motorista apresentava exaustão física e mental. Estava bem desgastado. Tanto que na hora em que fomos retirá-lo da boleia ele desabou para fora", diz o tenente-coronel Gustavo Packer Mercadante, comandante do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais), que fez a análise da suposta bomba. "Na minha percepção, ele estava muito estressado com a situação, psicologicamente abalado."

Um policial do Gate usando roupas especiais aproximou-se do veículo, conversou com o motorista e o retirou. Bastante nervoso, o condutor desmaiou e foi carregado por PMs até uma maca, onde foi atendido por médicos da concessionária.

As polícias Militar e a Rodoviária e o Corpo de Bombeiros foram ao local. Agentes do Gate chegaram por volta das 8h15, levados pelo helicóptero Águia da PM, entraram na cabine para averiguar se o artefato era um explosivo e providenciar a retirada do material. Um cão farejador participou do trabalho.

O Gate descartou que se tratava de um explosivo, mas sim um artefato feito com tubos de papelão e fios. O material foi apreendido e enviado para perícia.

Primeiramente, o caminhão foi colocado no acostamento da via e depois removido por um funcionário da empresa, mas seria levado para a delegacia.

Em razão do bloqueio, diversos motoristas desceram e ficaram fora de seus veículos. O congestionamento passou dos 20 km nos dois sentidos durante a manhã, enquanto estava bloqueado, mas foi normalizado por volta de meio-dia, 7 horas após o início da ocorrência.

O bloqueio do tráfego no Rodoanel causou reflexos no trânsito da capital paulista, que registrou mais de 640 km de lentidão na manhã.

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